Dengue aumenta em até 30 vezes risco de Síndrome de Guillain-Barré, aponta estudo

Pesquisa da Fiocruz Bahia revela associação entre infecção por dengue e complicação neurológica rara; risco é maior nas primeiras semanas após os sintomas.

Foto: nuzeee/Pixabay.

Um estudo conduzido por pesquisadores da Fiocruz Bahia identificou que pessoas infectadas pelo vírus da dengue têm risco até 30 vezes maior de desenvolver a Síndrome de Guillain-Barré (SGB) nas duas primeiras semanas após o início dos sintomas. A pesquisa reforça o alerta para vigilância e diagnóstico precoce da complicação neurológica.

De acordo com o levantamento, o risco de desenvolver a SGB permanece elevado por até seis semanas após a infecção, sendo cerca de 17 vezes maior nesse período. Apesar de rara, a complicação ganha relevância diante do alto número de casos da doença no país.

O estudo, publicado em revista científica internacional, analisou dados do Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo internações, notificações de dengue e registros de óbitos. Foram identificadas mais de 5 mil hospitalizações por SGB entre 2023 e 2024, sendo 89 ocorrências associadas temporalmente à dengue.

Em termos proporcionais, a estimativa indica que, a cada 1 milhão de casos de dengue, cerca de 36 pacientes podem desenvolver a síndrome. Embora o número seja considerado baixo, especialistas destacam que o volume de infecções amplia o impacto no sistema de saúde.

A Síndrome de Guillain-Barré é uma condição neurológica em que o sistema imunológico ataca os nervos periféricos, causando fraqueza muscular progressiva. Os sintomas geralmente começam nas pernas e podem evoluir para paralisia e dificuldade respiratória em casos mais graves.

Pesquisadores alertam que, durante surtos de dengue, é fundamental que os serviços de saúde estejam preparados para identificar sinais precoces, como formigamento e perda de força muscular, além de garantir suporte intensivo e respiratório quando necessário.

O diagnóstico rápido é decisivo para o tratamento, que inclui uso de imunoglobulina ou plasmaférese, com melhores resultados quando iniciado precocemente. A notificação dos casos às autoridades sanitárias também é considerada essencial para o monitoramento.

Ainda segundo o estudo, o Brasil enfrenta epidemias recorrentes de dengue — com mais de 6 milhões de casos prováveis registrados em 2024 — o que eleva o número absoluto de complicações, mesmo sendo raras.

Os pesquisadores destacam que, sem tratamento antiviral específico para a dengue, a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz. Medidas como combate ao mosquito Aedes aegypti e vacinação são fundamentais para reduzir tanto os casos quanto as complicações graves.

Fonte: Fiocruz Bahia / Estudo publicado em revista científica internacional (New England Journal of Medicine) / agência Brasil

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