A cigarrinha-do-milho, considerada o principal desafio sanitário das lavouras no país, provoca perdas anuais estimadas em R$ 33,6 bilhões, segundo estudo divulgado nesta terça-feira (7). O impacto inclui redução significativa na produção e aumento nos custos de controle da praga.
Responsável por prejuízos bilionários, a cigarrinha-do-milho tem causado forte impacto nas lavouras brasileiras. Entre as safras de 2020 e 2024, as perdas acumuladas chegaram a US$ 25,8 bilhões (mais de R$ 134 bilhões), refletindo uma queda média de 22,7% na produção — cerca de 31,8 milhões de toneladas por ano.
Além da redução na produtividade, os custos com inseticidas cresceram 19% no período, ultrapassando US$ 9 por hectare. O inseto, conhecido cientificamente como Dalbulus maidis, transmite bactérias que provocam os chamados enfezamentos do milho, comprometendo o desenvolvimento das plantas e a formação dos grãos.
O levantamento foi realizado pela Embrapa, com base em dados históricos desde 1976 da Conab, e publicado na revista científica internacional Crop Protection. O estudo analisou 34 municípios das principais regiões produtoras do país e contou com a participação de especialistas da Epagri e da CNA.
De acordo com os pesquisadores, em cerca de 80% das áreas avaliadas, a praga foi apontada como fator central para a queda de produtividade. A disseminação ocorre quando o inseto se alimenta de plantas infectadas e transmite os patógenos para lavouras sadias.
Sem tratamento preventivo eficaz, o risco de perdas totais aumenta. Embora a doença seja conhecida desde a década de 1970, surtos mais intensos passaram a ser registrados com maior frequência a partir de 2015, impulsionados por mudanças no sistema produtivo, como a expansão da safrinha e o cultivo contínuo de milho ao longo do ano.
O Brasil, terceiro maior produtor mundial de milho, projeta uma safra de 138,4 milhões de toneladas em 2025/2026, com valor estimado em US$ 30 bilhões. No entanto, a cigarrinha representa uma ameaça direta à renda do produtor, à estabilidade da produção e à competitividade do país.
Os reflexos também atingem o consumidor, já que o milho é base para cadeias como aves, suínos, leite e biocombustíveis, podendo elevar preços e afetar a balança comercial.
Diante do avanço da praga, especialistas recomendam práticas como eliminação do milho tiguera, sincronização do plantio, uso de cultivares resistentes, manejo químico e biológico inicial, além de monitoramento constante das lavouras. O controle biológico com fungos também é estudado, especialmente devido à resistência do inseto a alguns inseticidas.
Com prejuízos crescentes e impacto direto na produção nacional, o controle da cigarrinha-do-milho se torna prioridade estratégica para o agronegócio. Estudos como o da Embrapa são fundamentais para orientar políticas, investimentos e ações de manejo capazes de reduzir danos e garantir a sustentabilidade da produção.
Embrapa / Conab / Crop Protection / CNA / Epagri / agência Brasil
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