Uma pesquisa inédita sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) no Brasil revela que as mulheres são as principais responsáveis pelos cuidados com pessoas autistas e aponta avanços no diagnóstico precoce. Os dados detalhados do levantamento serão publicados oficialmente na próxima quinta-feira, dia 9, uma semana após o Dia de Conscientização sobre o Autismo. O estudo também destaca os desafios financeiros enfrentados pelas famílias e a importância da ampliação da rede pública de atendimento.
A rotina de dedicação integral de mães atípicas segue sendo uma realidade predominante no país. Um dos exemplos é o de uma advogada de 43 anos que reorganizou a vida profissional para acompanhar o desenvolvimento do filho autista, desde os primeiros sinais ainda na infância até a conquista do ingresso no ensino superior.
O diagnóstico, que no caso ocorreu aos 8 anos, refletia uma realidade comum no passado. No entanto, o novo levantamento indica uma mudança significativa: atualmente, a média de idade para identificação do autismo no Brasil gira em torno dos 4 anos, alinhando-se a padrões internacionais. Especialistas destacam que o diagnóstico precoce é essencial para ampliar as possibilidades de cuidados e qualidade de vida.
O estudo reuniu mais de 23 mil respostas em todo o país, sendo a maioria de responsáveis por pessoas com autismo. Entre os principais achados, está o fato de que a maior parte das cuidadoras são mulheres, muitas delas fora do mercado de trabalho devido à necessidade de dedicação integral ao cuidado.
Outro ponto de atenção é o custo das terapias, que pode ultrapassar R$ 1 mil mensais. Para garantir atendimento, grande parte das famílias recorre a planos de saúde, enquanto regiões como Norte e Nordeste dependem mais do sistema público.
Em resposta à crescente demanda, o governo federal anunciou investimento de R$ 83 milhões para ampliar o atendimento a pessoas com TEA. A medida inclui a criação de novos serviços especializados, como Centros de Reabilitação, além de melhorias no transporte adaptado e no atendimento multidisciplinar.
Apesar dos desafios, o avanço na conscientização tem contribuído para maior inclusão e acesso a direitos. No Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima-se que cerca de 2,4 milhões de pessoas estejam dentro do espectro autista, reforçando a necessidade de políticas públicas eficazes.
Com diagnóstico mais cedo e maior visibilidade, famílias têm buscado direitos e inclusão em áreas como educação, saúde e lazer. A realidade, no entanto, ainda evidencia a sobrecarga feminina no cuidado, indicando a urgência de políticas que promovam apoio mais amplo e equitativo.
Fonte: Agência Brasil
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