O Instituto Butantan firmou acordo com a farmacêutica norte-americana MSD para a produção nacional do pembrolizumabe, medicamento inovador no combate ao câncer. A iniciativa, articulada pelo Ministério da Saúde, busca ampliar o acesso no Sistema Único de Saúde (SUS), reduzir custos e fortalecer a autonomia tecnológica do país.
O pembrolizumabe é uma imunoterapia que atua estimulando o sistema imunológico a reconhecer e atacar células cancerígenas. Considerado menos agressivo que a quimioterapia convencional, o tratamento já apresenta resultados positivos, especialmente em pacientes com melanoma metastático.
Atualmente, o medicamento é adquirido pelo governo federal diretamente da MSD e atende cerca de 1,7 mil pacientes por ano, com investimento estimado em R$ 400 milhões. A expectativa é de ampliação do uso após análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), incluindo novos tipos de câncer, como colo do útero, pulmão, mama triplo-negativo e esôfago. Com isso, o número de beneficiados pode chegar a 13 mil pacientes anualmente.
Segundo a secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, Fernanda De Negri, a parceria prevê transferência gradual de tecnologia, permitindo que o Butantan domine todas as etapas produtivas no futuro. Além da redução de custos, o acordo garante maior segurança no abastecimento e avanço científico nacional.
O processo de nacionalização será feito em fases, começando por etapas como rotulagem e envase, até alcançar a produção completa do insumo farmacêutico ativo (IFA), o que pode levar até oito anos. A conclusão do projeto deve resultar em um medicamento totalmente produzido no Brasil.
O acordo integra uma estratégia do governo federal para ampliar a produção nacional de insumos em saúde, com a meta de atingir 70% de fabricação local em até uma década. A iniciativa também fortalece a cooperação entre instituições públicas e privadas.
Durante o anúncio, realizado no evento Diálogo Internacional sobre Tecnologias em Saúde, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou a importância da colaboração global para impulsionar inovação, desenvolvimento econômico e geração de empregos qualificados no setor.
Com a produção nacional do pembrolizumabe, o Brasil avança na independência tecnológica e amplia o acesso a tratamentos modernos contra o câncer, consolidando o SUS como referência mundial em assistência pública e inovação em saúde.
Fonte: Ministério da Saúde / Instituto Butantan / MSD Brasil /Agência Brasil
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