Menopausa pode influenciar ganho de peso e uso de canetas emagrecedoras exige cautela, alerta especialista

Mudanças hormonais impactam metabolismo e podem levar à perda de massa muscular sem acompanhamento adequado.

Foto: Reprodução.

O avanço do uso de medicamentos para emagrecimento, conhecidos como “canetas emagrecedoras”, tem ganhado destaque global, mas especialistas alertam para riscos pouco discutidos, especialmente entre mulheres na menopausa. Nessa fase, alterações hormonais podem ser a principal causa do ganho de peso — e o emagrecimento sem estratégia adequada pode trazer prejuízos à saúde.

A popularização desses fármacos, como os à base de semaglutida — cuja versão oral foi aprovada pelo FDA — ampliou o acesso ao tratamento. Nos Estados Unidos, estimativas indicam que uma em cada oito pessoas já utiliza esse tipo de medicação.

Segundo a médica Fabiane Berta, pesquisadora em saúde feminina e fundadora do movimento Mypausa, o debate sobre emagrecimento muitas vezes ignora o impacto da menopausa no organismo feminino. “Há uma redistribuição da gordura corporal, com aumento da gordura visceral e redução da massa magra. Sem acompanhamento, o uso dessas medicações pode intensificar a perda muscular”, explica.

Estudos publicados em bases científicas como PubMed e PubMed Central indicam que entre 40% e 45% do peso perdido com agonistas de GLP-1 pode ser de massa magra, incluindo músculos — fator preocupante para mulheres no climatério, que já enfrentam perda natural dessa massa com o envelhecimento.

A queda nos níveis de estrogênio também contribui para alterações no metabolismo, favorecendo o acúmulo de gordura abdominal e reduzindo o gasto energético basal. “Não se trata apenas de alimentação ou disciplina. Há uma mudança fisiológica importante nesse período”, ressalta a especialista.

Outro ponto de atenção é o risco aumentado de problemas ósseos. A perda de massa muscular pode impactar diretamente a densidade óssea, elevando as chances de osteopenia e osteoporose, condições mais comuns após os 50 anos.

Para Berta, o problema não está no uso da medicação em si, mas na falta de uma abordagem integrada. “Os agonistas de GLP-1 são um avanço no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2. Porém, para mulheres na menopausa, é fundamental associar o uso a estratégias como ingestão adequada de proteínas, treino de força e avaliação hormonal individualizada”, afirma.

A especialista reforça que o cuidado com a saúde feminina deve ir além de soluções rápidas. Entender o papel da menopausa no ganho de peso é essencial para evitar perdas funcionais e garantir qualidade de vida. Emagrecer, nesse contexto, deve significar equilíbrio metabólico — e não comprometimento da força e da autonomia.

Fonte: Especialista em saúde feminina / estudos científicos (PubMed e PMC)


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