Um estudo conduzido pelo Instituto Butantan revelou que a vacina brasileira contra a dengue continua eficaz por pelo menos cinco anos após a aplicação. O imunizante, chamado Butantan-DV, foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em 2025 e já começou a ser aplicado em profissionais de saúde em diferentes regiões do país.
Os resultados mostram que, entre as pessoas vacinadas, não houve registro de casos de dengue grave nem hospitalizações relacionadas à doença durante o período de acompanhamento. A eficácia da vacina para prevenir formas graves ou infecções com sinais de alerta chegou a 80,5%.
A diretora médica do Instituto Butantan, Fernanda Boulos, destaca que os dados confirmam a importância do imunizante, especialmente por ser aplicado em dose única, algo inédito entre vacinas contra dengue.
Segundo ela, esquemas vacinais que exigem duas ou mais doses costumam apresentar maior abandono, pois muitos pacientes não retornam para completar a imunização.
De forma geral, a eficácia total da vacina ficou em 65%, mas aumenta para 77,1% entre pessoas que já tiveram dengue anteriormente.
Os resultados também apontaram variações conforme a idade. A proteção foi maior entre adolescentes e adultos, enquanto apresentou redução entre crianças.
Por esse motivo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o uso da vacina apenas para pessoas entre 12 e 59 anos, embora os testes tenham incluído crianças a partir de dois anos.
O Butantan já planeja novos estudos, em parceria com a agência reguladora, para avaliar a eficácia no público infantil e ampliar o uso da vacina no futuro. Pesquisas com idosos também estão em andamento.
O diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM), Juarez Cunha, afirma que a ampliação da vacinação seria relevante, especialmente porque os idosos concentram as maiores taxas de mortalidade por dengue.
Além da eficácia, o especialista destaca que o estudo também confirmou a segurança do imunizante ao longo do tempo.
Os dados da pesquisa foram publicados na revista científica Nature Medicine após o acompanhamento de mais de 16 mil voluntários, sendo cerca de 10 mil vacinados e quase 6 mil no grupo placebo para comparação.
Segundo o Instituto Butantan, a prioridade inicial é garantir o abastecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Após atender a demanda nacional, a instituição avalia a possibilidade de fornecer doses para outros países, principalmente da América Latina, onde a dengue também provoca epidemias frequentes.
Fonte: Instituto Butantan / Agência Brasil
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