Caso Jeanevan foi julgado em Guanambi após a espera de 10 anos; júri demorou 18 horas

No julgamento desta sexta-feira, os acusados foram absolvidos de parte das acusações.

Advogado Guilherme Cruz, promotor Dr. Alex Bacelar, advogado Troyano Lélis, Juíza Cecília Dias, defensor público Eduardo Saback, e o assessor do defensor.

Após uma década de espera, o Tribunal do Júri de Guanambi realizou, nesta sexta-feira, das 09h do dia 29/11 até às 03h da manhã do dia 30/11/24, o julgamento do caso que chocou a cidade em 2014: o assassinato do empresário Jeanevan Vieira dos Santos, então com 36 anos. O crime, ocorrido em 2 de novembro de 2014, foi protagonizado por um adolescente de 13 anos, filho de João Dias Costa, com quem a vítima discutiu na noite fatídica. Na época o adolescente cumpriu pena de 03 anos, e agora seu pai João Dias Costa e sua mãe Railda Gildete Pereira Costa foram à júri por terem sido acusados de mandarem o filho atirar. O julgamento foi conduzido pela Juíza Cecília Angélica de Azevedo Frota Dias, da 1ª Vara Criminal, o promotor Dr. Alex Bacelar e o defensor público Eduardo Saback.

Família clama por justiça após década de espera

O longo intervalo em que o caso foi levado a julgamento gerou indignação e sofrimento na família da vítima. As filhas de Jeanevan, Jamylle Guedes e Josyane Guedes, manifestaram-se recentemente em programas locais, buscando apoio popular e justiça.

“Dez anos é um tempo absurdamente longo para uma resposta judicial. Queremos que a memória do meu pai seja respeitada e que, finalmente, tenhamos um desfecho digno para esse caso”, desabafou Josyane. Já Jamylle destacou o perfil trabalhador do pai, que era conhecido como um empreendedor dedicado e solidário. Ele era proprietário do Sacolão Sempre Verde e atuava na área de locação e transporte de caminhões.

Os fatos: O crime que chocou Guanambi

O crime ocorreu no bairro Brasília, em uma área de grande movimento e bares, durante um debate verbal, o filho de João armado, supostamente a mando dos pais atirou contra Jeanevan que morreu no local. Naquela noite, uma discussão entre Jeanevan e João Dias Costa, então com 70 anos, escalou rapidamente. Durante o debate verbal, o filho de João, armado, atirou contra Jeanevan, que morreu no local.

O caso gerou comoção na cidade e clamou debates sobre violência juvenil, acesso a armas e impunidade.


Populares acompanharam o júri.

O resultado do júri e as contestações

No julgamento desta sexta-feira, os acusados foram absolvidos de parte das acusações. Apesar do júri considerar que João Dias Costa foi o autor do crime, ele foi absolvido sob o argumento de clemência. Railda Costa, outra acusada, foi declarada inocente por falta de provas que apontassem participação no caso.

Já na acusação de corrupção de menor, o tribunal também apurou o crime, mas optou por absolver os réus.

A decisão gerou forte acontecimento por parte do Ministério Público e da acusação assistente, representada pelos advogados Guilherme Cruz do Nascimento e Troyano Adalgício Teixeira Lélis. Ambas as partes intervieram com recurso de apelação, argumentando nulidades no julgamento e alegando que o veredicto foi contrário às provas apresentadas.

Próximos passos

Com o recurso, o caso pode retornar ao Tribunal do Júri, prolongando ainda mais a luta da família por respostas e justiça. Enquanto isso, a memória de Jeanevan continua sendo relembrada como símbolo de dedicação e esforço, mantendo viva a indignação por uma tragédia que permanece sem desfecho adequado.

Este episódio destaca a morosidade judicial e a necessidade de reformas que garantam celeridade e eficiência na resolução de crimes, principalmente aqueles que abalam comunidades inteiras.

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