Ministério da Saúde mantém veto à finerenona no SUS e nega recurso da Bayer

Despacho publicado no Diário Oficial confirma decisão técnica e processo segue para análise final do ministro da Saúde.

Foto: CFF.

O Ministério da Saúde manteve o veto à incorporação da finerenona no Sistema Único de Saúde (SUS). Despacho publicado no Diário Oficial da União (DOU) na quinta-feira (19) rejeitou o pedido de reconsideração apresentado pela Bayer. O caso agora aguarda decisão final do ministro da Saúde.

A negativa foi formalizada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde, responsável por avaliar novas tecnologias no SUS. O ato, datado de 13 de fevereiro de 2026, refere-se ao processo nº 25000.048005/2025-19 e mantém os termos da Portaria nº 92, de 26 de dezembro de 2025, que já havia decidido pela não incorporação do medicamento.

Com isso, permanece inalterado o parecer técnico contrário à oferta da finerenona na rede pública. Conforme o decreto que regula a incorporação de tecnologias no SUS, a palavra final caberá ao ministro da Saúde.

A finerenona é indicada para pacientes com doença renal crônica associada ao diabetes tipo 2. O medicamento atua bloqueando a aldosterona, hormônio ligado à retenção de sal e água, inflamação e fibrose em órgãos como rins e coração.

Ao inibir esse mecanismo, a droga pode retardar a perda da função renal, reduzir a progressão para insuficiência renal grave — que pode exigir diálise — e diminuir o risco de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC.

Estudo publicado no New England Journal of Medicine apontou benefícios também em pacientes com insuficiência cardíaca com fração de ejeção levemente reduzida ou preservada, com redução de hospitalizações e mortes cardiovasculares. Especialistas avaliam a terapia como potencial avanço para grupos com opções terapêuticas limitadas.

Com a manutenção da decisão, a finerenona segue fora da lista de medicamentos fornecidos gratuitamente pelo SUS. O acesso permanece restrito à compra particular ou por via judicial.

Atualmente, o tratamento da doença renal crônica associada ao diabetes tipo 2 na rede pública inclui:

- Antihipertensivos com efeito renal, como enalapril, captopril e losartana;

- Controle glicêmico com metformina, insulina e dapagliflozina — esta última recentemente incorporada com benefícios renais e cardiovasculares;

Estatinas e outros medicamentos para redução do risco cardiovascular.

Essas estratégias compõem o padrão terapêutico recomendado internacionalmente. A finerenona seria indicada como complemento para pacientes que, mesmo com tratamento otimizado, mantêm albuminúria persistente e alto risco de progressão da doença.

A decisão técnica mantém o cenário atual de tratamento no SUS e reforça que eventuais mudanças dependerão da análise final do ministro da Saúde sobre a incorporação da finerenona à rede pública.

Fonte: Ministério da Saúde / Diário Oficial da União

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