Vulnerabilidade social reduz altura de crianças indígenas e do Nordeste, aponta estudo

Pesquisa com 6 milhões de crianças revela déficit de crescimento em áreas mais pobres e avanço do sobrepeso no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil.

Um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Bahia) aponta que a vulnerabilidade social está associada à menor estatura média de crianças indígenas e de estados do Nordeste com até 9 anos. Já nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, o destaque é a alta prevalência de sobrepeso infantil.

A pesquisa analisou dados de cerca de 6 milhões de crianças inscritas no Cadastro Único, cruzando informações do Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc) e do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan). O objetivo foi avaliar peso, estatura e estado nutricional com base nos parâmetros da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo os pesquisadores do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), fatores como baixa renda, insegurança alimentar, acesso limitado à saúde e condições ambientais inadequadas impactam diretamente o crescimento infantil.

Embora a média nacional de altura acompanhe referências internacionais, há proporção maior de baixa estatura entre crianças indígenas e das regiões Norte e Nordeste. O estudo ressalta que os dados são anonimizados e não identificam indivíduos.

Em relação ao peso, o cenário é distinto. Cerca de 30% das crianças brasileiras apresentam sobrepeso ou estão próximas disso. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, os índices são mais elevados, indicando tendência de excesso de peso acima do esperado para a idade, conforme o Índice de Massa Corporal (IMC).

O pesquisador Gustavo Velasquez destaca que não há, de forma geral, problema de subnutrição, mas alerta para o avanço da obesidade infantil, associado também às condições da gestação, ao acompanhamento na atenção primária e ao consumo crescente de alimentos ultraprocessados.

O estudo foi publicado em 22 de janeiro de 2026 na revista JAMA Network e recebeu comentários internacionais. Especialistas avaliam que, embora o Brasil esteja em nível intermediário na América Latina, o país precisa enfrentar simultaneamente desigualdades sociais e o aumento do excesso de peso infantil.

Os resultados reforçam que combater a vulnerabilidade social e promover alimentação adequada e acompanhamento desde a gestação são medidas centrais para garantir crescimento saudável e reduzir desigualdades regionais no Brasil.

Fontes: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Bahia) / JAMA Network / agência Brasil

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