Fim da escala 6x1 pode gerar impacto bilionário e ampliar tensão entre governo e indústria

Estudos apontam alta de até R$ 180 bilhões nos custos industriais com eventual redução da jornada de trabalho.

Foto: Internet.

A possível extinção da escala 6x1 e a redução da jornada semanal de 44 para 36 horas reacenderam o debate entre governo e setor produtivo. Representantes da indústria alertam que a medida pode elevar significativamente os custos de produção, pressionar preços e reduzir a competitividade brasileira.

Segundo José Velloso, presidente-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a proposta enfrenta resistência do empresariado e pode provocar efeitos como aumento da automação, maior rotatividade e crescimento da informalidade. Ele cita estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) que estima impacto próximo de R$ 180 bilhões caso a carga horária seja reduzida para 36 horas semanais.

Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que a adoção de jornada de 40 horas elevaria, em média, 7,84% o custo do trabalhador celetista. Em alguns segmentos, como serviços de vigilância e limpeza, o impacto pode chegar a 6,5% nas despesas operacionais. Pequenas empresas também aparecem como mais vulneráveis, por concentrarem maior proporção de funcionários com jornadas superiores a 40 horas.

Enquanto o debate trabalhista avança, indicadores econômicos recentes mostram cenários distintos. No pré-Carnaval, estados do Nordeste registraram crescimento nas vendas, com destaque para Pernambuco (18,1%) e Bahia (15,6%), conforme dados do Itaú Unibanco. Já no comércio exterior, a Bahia encerrou janeiro com exportações de US$ 607,9 milhões — o menor resultado para o mês desde 2018 — refletindo a queda de 28,2% no volume embarcado, especialmente no setor agropecuário.

Em meio a esse contexto, especialistas avaliam que qualquer mudança estrutural na jornada de trabalho exigirá amplo diálogo entre Congresso, governo e setor produtivo para equilibrar direitos trabalhistas e sustentabilidade econômica.

Fontes: Abimaq / Confederação Nacional da Indústria (CNI) / Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)

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