Teve início na sexta-feira (31) a programação técnica do 2º Festival do Queijo Artesanal da Bahia, que acontece até este sábado (1º) no Mercado do Rio Vermelho, em Salvador. O evento, promovido pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), celebra a diversidade e a qualidade da produção queijeira do estado, reunindo produtores, estudantes, técnicos e apreciadores da gastronomia artesanal.
A programação inclui o “Queijo Nota 10”, uma degustação comentada de queijos artesanais produzidos na Bahia, e palestras técnicas com foco em temas como produção, maturação, legislação sanitária, marketing e comercialização. O público participa de uma experiência multissensorial, que alia conhecimento técnico, troca de saberes e apreciação dos sabores únicos dos queijos regionais.
São apresentados queijos frescos e maturados, produzidos com leite de cabra, ovelha, búfala e vaca, demonstrando a riqueza e a diversidade da agroindústria familiar baiana.
Integração e conhecimento técnico
O coordenador de Segurança Alimentar da CAR, Gilmar Bonfim, destacou que o evento é uma oportunidade de integração entre produtores e consumidores, além de fortalecer a cadeia produtiva do queijo artesanal.
“Tratamos de temas como produção, maturação e atualização das legislações, com foco no Serviço de Inspeção Municipal (SIM), no SIM/Consórcio e no Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (SUSAF/BA), além de marketing e comercialização”, explicou.
O professor Sílvio Luiz Soglia, do Centro de Ciências Agrárias, Ambientais e Biológicas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), é mediador e palestrante da programação técnica. Segundo ele, as atividades são divididas em duas etapas:
“A primeira, denominada Queijo Nota 10, traz apresentações dos próprios produtores, que falam sobre seus produtos enquanto o público participa da degustação. A segunda parte é composta por palestras sobre temas relevantes ao processo produtivo, escolhidos pelos próprios queijeiros.”
Experiências dos produtores
A produtora Maria Alice Rocha, do Sítio Torto Arado, em Mucugê, na Chapada Diamantina, compartilhou sua experiência no evento.
“A palestra sobre maturação de queijos artesanais foi fundamental. Minha família está escrevendo essa história, e a parte técnica é essencial. Às vezes conseguimos um bom sabor, mas não a estética ideal. Aprendi muito com a combinação entre a teoria acadêmica e a prática dos produtores, foi muito enriquecedor.”
Outro participante, Eduardo Emídio, da Queijaria Produzir Preservar, localizada no distrito de Barreiros, em Riachão do Jacuípe, destacou a importância de valorizar o bioma Caatinga e as práticas sustentáveis da produção.
“Participar de um evento como este, promovido pela CAR, é trazer a Caatinga até a capital. É mostrar o valor dos nossos produtos — desde a alimentação das vacas e a ordenha até os processos de fermentação, pasteurização e maturação — para que o público urbano conheça a importância dessa cadeia produtiva.”
Valorização da produção baiana
O festival reforça o compromisso do estado com o fortalecimento da agricultura familiar, a geração de renda no campo e o reconhecimento do queijo artesanal baiano como um produto de identidade cultural e econômica.
Fonte: Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR) / Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB) / MAPA
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