A vacina contra o HPV pode oferecer benefícios mesmo após os 20 anos, embora a proteção seja maior quando a imunização ocorre antes do início da vida sexual. Estudos recentes apontam que adultos ainda podem se proteger contra tipos do vírus aos quais não foram expostos, especialmente em situações de possível contato futuro.
Uma pesquisa publicada na revista JAMA Oncology, com mais de 750 mil mulheres na Suécia, identificou que a vacinação entre 10 e 16 anos esteve associada a um risco 55% menor de lesões de alto grau, em comparação com a imunização a partir dos 17 anos.
Quem pode se vacinar no Brasil?
No Sistema Único de Saúde (SUS), a vacinação de rotina contempla meninas e meninos de 9 a 14 anos, em dose única. A ampliação temporária para jovens de até 19 anos, informada no material de referência, está prevista até o fim de 2026. Pessoas imunocomprometidas, vivendo com HIV/Aids, transplantadas, pacientes oncológicos e vítimas de violência sexual podem ter indicação de vacinação até os 45 anos, conforme critérios do Ministério da Saúde.
Na rede privada, também está disponível a vacina nonavalente, que protege contra nove tipos do HPV. O esquema de doses varia conforme a idade e as condições de saúde, seguindo as recomendações vigentes.
Estudos apontam proteção na vida adulta
Uma revisão publicada em maio de 2026 no Journal of Primary Care & Community Health identificou que a vacina mantém perfil de segurança favorável e capacidade de estimular a produção de anticorpos em pessoas com mais de 26 anos. Entretanto, os autores não consideraram vantajoso ampliar a vacinação de rotina para todos os adultos em termos de custo-benefício.
Outra análise, divulgada em agosto de 2026 na plataforma SSRN, estimou eficácia de 90% contra infecções persistentes e lesões precoces entre mulheres com 25 anos ou mais que não apresentavam HPV antes da vacinação. Entre participantes com situação desconhecida para o vírus, a eficácia estimada foi de 64%.
A vacina, porém, não elimina uma infecção já existente nem trata lesões causadas pelo HPV. Por isso, o benefício depende do histórico de exposição, da possibilidade de novas infecções e das características de cada pessoa.
Avaliação médica é importante
Adultos que não foram vacinados na adolescência podem conversar com um profissional de saúde para avaliar a indicação, considerando idade, histórico de doses e condições clínicas. A prevenção também exige a realização dos exames recomendados para rastreamento do câncer do colo do útero, pois a vacina não substitui o acompanhamento preventivo.
ontes: JAMA Oncology; Journal of Primary Care & Community Health; Social Science Research Network (SSRN); Ministério da Saúde; Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm)
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