Exame de sangue para Alzheimer chega ao Brasil e custa cerca de R$ 3 mil

Teste identifica alterações biológicas associadas à doença e é indicado para pessoas com sintomas e suspeita clínica; resultado não confirma o diagnóstico isoladamente.

Foto: Divulgação.

Um exame de sangue capaz de identificar alterações biológicas associadas à doença de Alzheimer começou a ser oferecido no Brasil em 15 de outubro. Disponível inicialmente em um hospital privado de Porto Alegre (RS), o teste analisa a proteína p-tau217 e custa cerca de R$ 3 mil. A indicação é voltada a pacientes com sintomas e suspeita clínica da doença, mediante avaliação médica.

Quem pode fazer o exame?

O procedimento é indicado principalmente para pessoas com mais de 50 anos que apresentam alterações cognitivas e precisam investigar a possível relação com o Alzheimer. A solicitação deve ser feita pelo médico, especialmente quando outros testes apontam comprometimento cognitivo leve ou sinais iniciais da doença.

Queixas isoladas de esquecimento, sem outros indícios de alteração cognitiva, não são suficientes para justificar o exame. Além disso, a utilização em pessoas com menos de 50 anos ainda não foi adequadamente avaliada.

Resultado não confirma Alzheimer sozinho

O teste identifica sinais biológicos associados à doença, mas não determina, isoladamente, se a pessoa apresenta demência. O resultado precisa ser interpretado em conjunto com os sintomas, o histórico clínico e outros exames.

Estudos apontam que o procedimento pode apresentar resultados incorretos. Em pesquisas realizadas com pacientes de serviços especializados, a precisão variou conforme o resultado, a faixa etária e os critérios utilizados na interpretação. A validação específica para a população brasileira também ainda não foi publicada, o que exige cautela na avaliação dos resultados.

Exame ainda não está disponível no SUS

Até o momento, não há previsão de oferta do teste pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o Ministério da Saúde, ainda não foi solicitada à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) uma avaliação para possível incorporação à rede pública.

A chegada do exame de sangue representa um avanço na investigação biológica do Alzheimer, mas não substitui a avaliação clínica especializada. Pessoas com alterações de memória ou outras dificuldades cognitivas devem procurar atendimento médico para identificar as possíveis causas e definir a investigação adequada.

Fontes: Ministério da Saúde; Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec); informações sobre o estudo de precisão do teste e avaliação de especialistas em neurologia.

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