Produção de maracujá ganha força no Alto Sertão e Festival chega à 4ª edição com feira de negócios, capacitação e serviços

Evento acontece nos dias 12 e 13 de setembro, em Várzea Grande, comunidade de Caculé conhecida como “capital do maracujá”, reunindo produtores, empresas, estudantes e parceiros em uma programação voltada ao fortalecimento da agricultura familiar.

Gilmara Silveira, Presidente da COOPMFAS, e Neide Lu, jornalista.

A produção de maracujá em Várzea Grande, comunidade pertencente ao município de Caculé, no sudoeste da Bahia, ganha cada vez mais espaço e organização. Com cerca de 220 famílias envolvidas na atividade, produção estimada em 60 toneladas e uma trajetória de aproximadamente 15 anos no cultivo, a comunidade realiza, nos dias 12 e 13 de setembro, a 4ª edição do Festival do Maracujá do Alto Sertão, evento que busca dar visibilidade aos produtores, estimular negócios e discutir alternativas para fortalecer a cadeia produtiva. 

Festival nasceu para dar voz aos produtores

Em entrevista ao Fala Você Notícias, nesta sexta (28), a presidente da Cooperativa dos Produtores de Maracujá e Frutas do Alto Sertão (COOPMFAS), Gilmara Silveira, destacou que o festival nasceu justamente da necessidade de mostrar a força da comunidade produtora.

Segundo ela, Várzea Grande tem uma história de aproximadamente 15 anos de produção de maracujá, mas durante muito tempo essa realidade permaneceu pouco conhecida. A criação do festival, há quatro anos, passou a funcionar como uma forma de dar visibilidade às famílias que vivem da agricultura e mostrar que existe uma produção expressiva na região. 

A cooperativa, criada há cerca de 60 dias no momento da entrevista, representa uma nova etapa desse processo de organização. Antes, os produtores estavam reunidos por meio de uma associação, mas o crescimento da atividade levou à necessidade de uma estrutura cooperativista capaz de ampliar as oportunidades para a comunidade. 

220 famílias vivem da produção de maracujá

Um dos dados que mais chama atenção na entrevista é a quantidade de famílias envolvidas diretamente com o cultivo. De acordo com Gilmara, são aproximadamente 220 famílias produtoras em Várzea Grande.

A produção também apresenta números expressivos. Enquanto a média nacional mencionada durante a entrevista é de aproximadamente 15 toneladas, a comunidade relata alcançar uma produção de cerca de 60 toneladas em todas as propriedades. 

O resultado, porém, convive com desafios importantes, principalmente relacionados à água, assistência técnica, comercialização e estrutura para beneficiamento da produção.

Falta de água é um dos principais desafios

Para produzir em grande escala, o maracujá exige disponibilidade de água. Gilmara relata que a comunidade não conta com uma barragem e que produtores dependem de poços para manter as plantações.

Segundo ela, há produtores que utilizam poços há mais de uma década e enfrentam dificuldades para ampliar a segurança hídrica da atividade. A busca por investimentos e políticas públicas voltadas à produção rural está entre as pautas defendidas pela organização dos produtores. 

Outro desafio está relacionado à comercialização.

Produtores querem reduzir dependência de atravessadores

Durante a entrevista, Gilmara explicou que parte significativa da produção acaba sendo comercializada por meio de atravessadores. Segundo ela, a produção da comunidade chega a ser registrada comercialmente em outros municípios, o que dificulta a percepção do real volume produzido em Várzea Grande. 

A situação é apontada como uma das razões para a defesa da implantação de estruturas próprias de beneficiamento e comercialização.

Entre os projetos estão uma agroindústria, que permitiria transformar o maracujá em produtos como polpa, sucos e geleias, e um packing house, estrutura destinada ao beneficiamento, seleção e preparação de produtos agrícolas para comercialização em maior escala. 

A proposta é agregar valor à produção e reduzir perdas nos períodos em que o preço da fruta cai e a comercialização in natura deixa de ser economicamente vantajosa.

Festival terá feira de negócios e capacitação

A edição de 2026 do Festival do Maracujá representa uma ampliação da iniciativa.

O evento, que começou de forma mais simples, agora contará com uma feira de negócios, com 23 estandes confirmados no momento da entrevista, além de rodadas de negócios, cursos e atividades voltadas aos produtores e visitantes. 

Entre os parceiros citados estão instituições financeiras, empresas e organizações ligadas ao setor agrícola, além de empresas da região.

Uma das atividades de destaque será o curso de enxertia de maracujá, realizado em parceria com o IF Baiano. A técnica é apresentada como uma alternativa diante de problemas fitossanitários que atingem as plantações. 

Gilmara Silveira, Presidente da COOPMFAS, e Neide Lu, jornalista.

Agricultura, assistência social e saúde também estarão presentes

Além das atividades diretamente relacionadas ao maracujá, o festival terá uma programação de serviços.

A Secretaria de Agricultura deverá oferecer atendimento relacionado à CAF, Seguro-Safra e outros serviços direcionados aos produtores rurais. A Secretaria de Assistência Social também participará com atendimentos, incluindo orientações relacionadas ao Cadastro Único. 

Outra novidade é a implantação de um centro médico de especialidades durante o evento. A programação anunciada inclui atendimentos e ações relacionadas à saúde da mulher, cardiologia, pediatria, odontologia, testes rápidos e outros serviços. 

A proposta é aproximar serviços públicos da população rural que, muitas vezes, enfrenta dificuldades para deixar a propriedade e se deslocar até os centros urbanos.

Cultura e participação comunitária

O Festival do Maracujá também terá espaço para manifestações culturais.

A programação anunciada inclui apresentações de fanfarra, grupos musicais da comunidade, teatro, quadrilhas e outras atividades culturais. A feira de negócios deverá funcionar durante o dia, enquanto a programação noturna contará com atrações musicais e confraternização. 

A própria comunidade participa da organização. Como Várzea Grande não dispõe de uma estrutura hoteleira, moradores estão se mobilizando para receber visitantes e participantes em suas casas, demonstrando o caráter comunitário do evento. 

Entre os visitantes previstos estão cerca de 40 estudantes de Agronomia do IF Baiano de Bom Jesus da Lapa, que deverão participar da programação e acampar na comunidade. 

Um festival feito pelos produtores e para os produtores

Para Gilmara Silveira, o Festival do Maracujá ultrapassa a dimensão de uma festa. A iniciativa representa uma oportunidade de mostrar a produção, aproximar parceiros, buscar conhecimento, criar negócios e chamar atenção para as necessidades de quem vive da agricultura.

A liderança também destaca o papel das famílias e dos produtores mais experientes na transmissão de conhecimento para aqueles que estão começando na atividade. 

A nova cooperativa surge nesse cenário como uma tentativa de transformar essa união em uma estrutura permanente, capaz de contribuir para o desenvolvimento econômico da comunidade e agregar valor à produção.

Festival do Maracujá do Alto Sertão

Data: 12 e 13 de setembro

Local: Várzea Grande, município de Caculé (BA)

Programação: Feira de negócios, rodadas de negócios, cursos, capacitações, apresentações culturais, serviços públicos, ações de saúde e programação musical.  

Contato para informações e parcerias: WhatsApp divulgado pela organização: (77) 98159-6208. 

Assista à entrevista completa

Quer entender como uma comunidade rural que durante anos ficou praticamente invisível está tentando transformar produção, união e organização em novas oportunidades para 220 famílias?

A conversa completa com Gilmara Silveira, presidente da COOPMFAS, revela os bastidores do Festival do Maracujá, os desafios enfrentados pelos produtores, os projetos de agroindústria e packing house, a luta por água, comercialização e assistência, além de uma história de coragem e protagonismo feminino no campo.

Assista à entrevista completa no YouTube Neide Lu Fala Você Notícias e descubra por que Várzea Grande quer ser reconhecida não apenas como a capital do maracujá, mas como uma comunidade que decidiu dar voz à sua própria história.

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