Guanambi, no sudoeste da Bahia, ganhou destaque no cenário internacional do karatê com a participação de atletas da Arena Sochin Karatê Clube no Campeonato Mundial da modalidade. A equipe, liderada pelo professor, atleta e empresário André Sniper, levou para uma competição de nível mundial os nomes de Samyra Cardoso, Emanuel Silva, Jonadabe Lima e Kauan Brito, além do próprio professor, que também participou do evento.
A conquista representa um marco para o esporte de Guanambi e é resultado de uma trajetória iniciada há mais de duas décadas. André Sniper conta que começou a dar aulas de karatê na cidade em 2003 e, anos depois, decidiu fundar seu próprio clube para seguir um novo caminho dentro da modalidade.
O trabalho desenvolvido ao longo dos anos começou a produzir resultados expressivos em competições nacionais e internacionais. Antes do Mundial, atletas da Arena Sochin já haviam conquistado medalhas no Campeonato Pan-Americano, incluindo ouros, pratas e bronzes.
Do tatame improvisado ao Campeonato Mundial
A história da equipe chama atenção também pelas condições enfrentadas durante a trajetória. Segundo André Sniper, a Arena Sochin chegou a começar os treinamentos em frente à própria residência do professor, utilizando um tatame improvisado.
Com dedicação, participação das famílias e treinamento contínuo, o projeto foi crescendo e passou a revelar atletas capazes de competir em eventos de grande porte.
A participação no Mundial tornou-se, portanto, muito mais do que uma competição esportiva. Para o professor, foi a realização de um sonho construído desde o início de sua trajetória em Guanambi.
A equipe precisou conciliar os treinamentos com os compromissos escolares dos atletas. Além disso, enfrentou uma dificuldade considerada importante pelo professor: a diferença entre o piso utilizado nos treinamentos e o tatame oficial encontrado nas competições.
Enquanto os atletas de outros países treinavam em tatames oficiais, a equipe de Guanambi utilizava uma estrutura mais simples. Segundo André, a diferença de piso chegou a interferir no equilíbrio dos competidores durante as apresentações.
Diante da dificuldade, o professor tomou uma decisão para melhorar a preparação dos atletas: adquiriu um tatame oficial para a Arena Sochin, em um investimento de aproximadamente R$ 11 mil, parcelado.
Samyra Cardoso conquista medalha em seu primeiro Mundial
Entre os destaques da equipe está a atleta Samyra Cardoso, que disputou quatro categorias no Campeonato Mundial.
A jovem viveu uma experiência inédita ao participar pela primeira vez de uma competição mundial. A classificação veio após seu desempenho no Campeonato Brasileiro, onde conquistou medalhas e garantiu a oportunidade de representar Guanambi em uma competição internacional.
No Mundial, Samyra alcançou o terceiro lugar no kumite por equipe e terminou em quinto lugar no kata individual.
Mais do que a medalha, a atleta destacou a experiência de conhecer competidores de diferentes países e observar métodos de treinamento distintos, especialmente de atletas japoneses, país de origem do karatê.
Um dos aprendizados foi justamente o intercâmbio cultural e esportivo proporcionado pelo Mundial. Samira também ajudou na comunicação da equipe, utilizando seus conhecimentos de inglês para conversar com atletas estrangeiros.
Para os próximos desafios, a meta já está definida: buscar novas classificações e, em uma futura participação mundial, tentar conquistar medalhas em todas as categorias disputadas.
Emanuel Silva também sobe ao pódio
O atleta Emanuel Silva também viveu a experiência de disputar seu primeiro Campeonato Mundial e conquistou o terceiro lugar no kumite por equipe.
Para ele, estar em uma competição daquela dimensão foi uma experiência que até então parecia distante. O atleta também relatou que a adaptação ao tatame oficial foi um dos desafios encontrados durante as disputas.
A experiência serviu como aprendizado e reforçou a vontade de continuar treinando para disputar novas competições nacionais e internacionais.
Jonadabe Lima: experiência, aprendizado e vontade de voltar ao pódio
Outro integrante da equipe, Jonadabe Lima, enfrentou uma categoria com mais de 50 competidores. Apesar de não ter conquistado medalha, terminou a competição na 20ª colocação.
O atleta relatou o nervosismo natural diante da dimensão do evento, mas destacou a importância da experiência.
Para ele, o próximo passo é intensificar os treinamentos, melhorar o desempenho e buscar novas oportunidades para representar Guanambi em campeonatos nacionais e internacionais.
A mensagem deixada por Jonadabe aos jovens é direta: praticar esporte, persistir nos sonhos e não permitir que palavras negativas impeçam a busca pelos objetivos.
O golpe que chamou atenção no Mundial
Emanuel também relembrou um dos momentos marcantes da competição: um golpe executado durante uma luta que, segundo ele, chamou a atenção do público presente.
O atleta contou que conseguiu realizar um movimento com giro e chute na cabeça do adversário, provocando reação nas arquibancadas.
Além do resultado esportivo, momentos como esse mostram a evolução técnica dos atletas formados em Guanambi e a capacidade de competir em alto nível mesmo diante das dificuldades de preparação.
Inglaterra e Japão impressionaram os atletas de Guanambi
Durante o Mundial, os atletas tiveram contato com equipes de diferentes países.
A equipe da Inglaterra, campeã da competição, foi apontada pelos atletas como uma das que mais impressionaram pela qualidade técnica. O Japão também chamou atenção pela tradição e pelo nível apresentado.
Para os representantes de Guanambi, observar diferentes estilos de treinamento e competição foi uma oportunidade de aprendizado que poderá ser aplicada nos próximos treinamentos.
Arena Sochin quer formar cidadãos, não apenas campeões
Apesar das medalhas e dos resultados internacionais, André Sniper afirma que o principal objetivo da Arena Sochin não é apenas formar atletas.
Segundo o professor, o projeto busca principalmente formar cidadãos de bem, capazes de contribuir positivamente para a sociedade.
A competição, nesse contexto, aparece como consequência do trabalho desenvolvido com os alunos.
André também destacou a importância de ensinar os atletas a lidar com vitórias e derrotas. Para ele, não subir ao pódio não significa fracassar. O mais importante é chegar à competição, enfrentar adversários de alto nível e dar o melhor de si.
Professor critica falta de apoio ao esporte
Durante a entrevista, André Sniper também falou sobre as dificuldades para conseguir apoio financeiro e estrutural para levar os atletas às competições.
Segundo ele, a equipe já buscou apoio de órgãos públicos, mas encontrou dificuldades. O professor citou exemplos de outros municípios que oferecem suporte a atletas e eventos esportivos e lamentou a falta de incentivo que, segundo seu relato, a equipe de Guanambi enfrenta.
Para participar de competições internacionais, as despesas envolvem viagens, hospedagem, alimentação, inscrições e equipamentos.
Mesmo sem o apoio esperado, o projeto contou com a colaboração de pais, familiares, amigos e patrocinadores.
Entre os apoiadores citados durante a entrevista estão Retífica Vitória, Ótica Império, MASPLAN, Só Química, Hugo Costa, Tuba de Ceraíma, Arte Sonhos e Guanambi Construções, além das famílias dos atletas que contribuíram diretamente para a participação da equipe.
A medalha que representa Guanambi
Para André Sniper, levar atletas de Guanambi para uma competição mundial tem um significado que ultrapassa o resultado individual.
Ele destaca o orgulho de representar uma cidade do interior da Bahia em um evento internacional e mostrar que atletas do município também podem ocupar espaços de destaque no esporte mundial.
A participação da Arena Sochin demonstra que o caminho para o alto rendimento pode começar em estruturas simples, desde que exista dedicação, planejamento, apoio familiar e persistência.
Próximo desafio já tem data
Depois da experiência internacional, a equipe já mira o próximo objetivo: o Campeonato Brasileiro, previsto para acontecer em Governador Valadares (MG), entre o final de outubro e o início de novembro, competição que poderá garantir vagas para o próximo Campeonato Pan-Americano.
Os atletas já iniciam uma nova etapa de preparação, enquanto a equipe também busca recursos para viabilizar a participação no próximo desafio internacional.
Aulão especial reúne atletas que participaram do Mundial
Como forma de compartilhar os conhecimentos adquiridos durante a experiência internacional, os atletas que participaram dos cursos e treinamentos com japoneses também irão repassar parte do aprendizado aos demais alunos da Arena Sochin.
A programação inclui entrega de faixas e um aulão no Ginásio de Esportes, com participação de Samira, Jonadabe, Kauan e outros atletas.
A iniciativa transforma a experiência internacional em conhecimento compartilhado com toda a equipe.
Uma história que ainda está começando
A trajetória da Arena Sochin mostra que grandes conquistas podem nascer de pequenos espaços e de sonhos que, inicialmente, parecem distantes.
Do tatame improvisado em frente à casa do professor André Sniper aos pódios de uma competição mundial, a caminhada foi construída com treinamento, sacrifício e participação das famílias.
Samyra Cardoso, Emanuel Silva, Jonadabe Lima e Kauan Brito representam uma nova geração de atletas de Guanambi que começa a enxergar o esporte não apenas como atividade física, mas como possibilidade de crescimento, disciplina e representação internacional.
Para André Sniper, o objetivo agora é ampliar as oportunidades e permitir que cada vez mais jovens tenham acesso a competições de alto nível.
Mais do que medalhas, a equipe levou o nome de Guanambi para o mundo — e a pergunta que fica é: até onde esses atletas podem chegar quando tiverem as condições necessárias para sonhar ainda mais alto?
Assista à entrevista completa com André Sniper, Samyra Cardoso, Emanuel Silva e Jonadabe Lima no YouTube Neide Lu Fala Você Notícias e conheça os bastidores dessa conquista que está colocando Guanambi no mapa mundial do karatê.
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