Guanambi e região contam com uma estrutura de segurança que funciona 24 horas por dia e vai muito além das câmeras instaladas em pontos estratégicos da cidade. Em entrevista ao Fala Você Notícias, nesta quarta (12), o capitão Gustavo Kraychete, coordenador do CICOM – Centro Integrado de Comunicação, explicou os bastidores do atendimento do 190, o funcionamento do videomonitoramento e como os sistemas de reconhecimento facial e de placas auxiliam o trabalho policial.
Segundo o capitão, o CICOM é o elo entre as demandas da população e os recursos policiais disponíveis. Quando uma pessoa liga para o 190, a chamada é recebida pelos operadores, que seguem protocolos específicos para identificar a natureza da ocorrência, avaliar o grau de urgência e encaminhar a informação para as equipes policiais que estão em serviço.
CICOM atende Guanambi e outros 25 municípios
O trabalho do Centro Integrado de Comunicação não se limita a Guanambi. De acordo com Gustavo Kraychete, o CICOM atende 26 municípios, tendo Guanambi e Caetité entre as cidades com maior volume de ocorrências.
Os números apresentados durante a entrevista impressionam: até 31 de julho de 2026, o sistema já havia recebido 50.675 ligações. A média apresentada pelo coordenador é de aproximadamente 248 ligações por dia e 7.200 por mês.
O capitão também explicou que o aumento no número de ligações durante grandes eventos nem sempre significa aumento proporcional de ocorrências, já que diferentes pessoas podem ligar para relatar a mesma situação. Cabe aos operadores fazer a triagem e reunir as informações.
Como funcionam as câmeras do CICOM?
O videomonitoramento é uma das principais ferramentas utilizadas pelo CICOM. Segundo o coordenador, existem sistemas capazes de realizar reconhecimento facial e também identificar placas de veículos com restrição de furto ou roubo.
As câmeras funcionam 24 horas por dia, com equipes acompanhando as imagens em tempo real.
Um dos recursos destacados pelo capitão é o sistema automático de alertas. Quando uma pessoa com mandado de prisão em aberto é identificada pelas câmeras, o sistema gera um alerta para os operadores.
Antes de qualquer abordagem, porém, há uma etapa de conferência para verificar se o mandado continua válido. Confirmada a situação, os policiais identificam a equipe mais próxima e repassam as características do indivíduo para que seja realizada a abordagem.
Reconhecimento facial já ajudou na captura de procurados
Durante a entrevista, Gustavo Kraychete relatou casos em que a tecnologia foi decisiva para localizar pessoas procuradas pela Justiça.
Um dos exemplos citados foi o de um homem que possuía um mandado de prisão por homicídio expedido em São Paulo havia anos. Mesmo estando em Guanambi, ele acabou identificado pelo sistema de reconhecimento facial enquanto circulava pela cidade.
O capitão também explicou que o sistema consegue reconhecer características faciais mesmo diante de mudanças na aparência, como barba, corte ou pintura do cabelo e até mesmo quando a pessoa utiliza óculos de sol. Em determinadas situações, o reconhecimento pode ocorrer inclusive quando alguém está usando capacete, caso parte suficiente do rosto esteja visível.
Câmeras também auxiliam na localização de veículos
Além do reconhecimento facial, o CICOM utiliza tecnologia para identificar placas de veículos.
Quando uma placa é reconhecida, o sistema consulta a base de dados e, caso exista uma restrição relacionada a furto ou roubo, os operadores fazem a checagem das informações e repassam as características do veículo para as guarnições.
A partir daí, as câmeras podem auxiliar no acompanhamento do deslocamento do veículo até que uma equipe policial consiga realizar a abordagem.
Imagens não podem ser liberadas diretamente ao cidadão
Outro ponto esclarecido pelo capitão foi o acesso às imagens do videomonitoramento.
As gravações podem ser utilizadas em investigações policiais, mas não podem ser entregues diretamente ao cidadão. Para que uma imagem seja extraída, é necessário seguir o procedimento oficial, geralmente mediante solicitação de uma autoridade policial dentro de uma investigação.
O sistema também possui mecanismos de controle. Cada operador utiliza um login individual, permitindo identificar quem acessou ou realizou determinada operação no sistema.
“Nós também somos monitorados”, explicou o capitão durante a entrevista, destacando que existe controle sobre o acesso às imagens e assinatura de termos de confidencialidade.
Trotes ao 190: oito ocorrências por dia
Um dos alertas feitos pelo coordenador do CICOM envolve os trotes para o 190.
Segundo Gustavo Kraychete, o serviço registra uma média de aproximadamente oito trotes por dia, considerando os municípios atendidos pelo Centro.
O problema é que uma falsa comunicação pode ocupar o tempo dos operadores enquanto outra pessoa realmente precisa de socorro.
O capitão explicou que os responsáveis podem ser identificados por meio das informações vinculadas ao número telefônico e que os casos são encaminhados à Polícia Civil para adoção das medidas cabíveis.
Ele também chamou a atenção para situações em que crianças utilizam o celular dos pais para realizar ligações falsas sem que os responsáveis tenham conhecimento.
Violência doméstica está entre as ocorrências prioritárias
Durante a entrevista, o capitão Gustavo Kraychete destacou que ocorrências envolvendo ameaça à vida recebem prioridade máxima.
No caso da violência doméstica, segundo ele, os atendimentos são tratados como situações emergenciais. O coordenador também relatou que o CICOM já registrou diversos atendimentos relacionados à Lei Maria da Penha.
Um dado chamou atenção: conforme a experiência relatada pelo capitão, há aumento de ocorrências de violência doméstica especialmente aos domingos, no final da tarde, a partir das 17h.
CICOM também já recebeu ligações de pessoas em crise
Nem todas as ligações para o 190 estão relacionadas diretamente a crimes em andamento.
Gustavo Kraychete revelou que o serviço já recebeu ligações de pessoas que procuraram atendimento em momentos de crise emocional. Em um dos casos mencionados, uma pessoa ligou para conversar e o atendimento realizado pelos policiais teria contribuído para evitar uma tentativa de suicídio.
O episódio demonstra, segundo o coordenador, a importância de os operadores estarem preparados para diferentes tipos de situações.
190 é para situações de emergência
O capitão reforçou que o 190 é um serviço de emergência e deve ser utilizado prioritariamente em situações que exigem atendimento policial.
Ao mesmo tempo, explicou que o CICOM também realiza encaminhamentos de situações não emergenciais para órgãos parceiros, conforme a necessidade.
A orientação principal é que a população utilize o serviço de maneira consciente e forneça informações corretas para facilitar o trabalho das equipes.
Tecnologia muda o trabalho da segurança pública
Para Gustavo Kraychete, o impacto do videomonitoramento na segurança pública da região é significativo.
Além de possibilitar prisões em flagrante quando uma ocorrência é identificada em tempo real, as imagens podem ser utilizadas posteriormente para auxiliar investigações e esclarecer crimes.
O coordenador ressaltou ainda que a segurança depende da integração entre diferentes órgãos e forças policiais.
O que está por trás das câmeras do CICOM?
A entrevista revelou que, por trás das câmeras que muitas vezes passam despercebidas pela população, existe uma estrutura que envolve tecnologia, inteligência, operadores, protocolos de atendimento e integração entre as forças de segurança.
O trabalho ocorre 24 horas por dia e envolve 26 municípios da região.
E tem muito mais detalhes que o capitão Gustavo Kraychete revelou sobre como uma ligação para o 190 é tratada, como um suspeito é identificado pelas câmeras, como funciona o reconhecimento facial, o combate aos trotes e até situações surpreendentes já registradas pelo CICOM.
Quer descobrir o que realmente acontece nos bastidores das câmeras de segurança de Guanambi? Então assista à entrevista completa com o capitão Gustavo Kraychete no YouTube Neide Lu Fala Você Notícias. Você pode se surpreender com o que acontece enquanto você passa pela cidade sem perceber que está sendo monitorado.
Comentários