Educação em transformação: Jairlla Moraes defende protagonismo estudantil e repensa o papel do professor

Em entrevista ao Fala Você Notícias, educadora fala sobre metodologias ativas, desafios em sala de aula e como a inovação pode transformar o processo de ensino e aprendizagem.

Jairlla Moraes, educadora, e Neide Lu, jornalista.

No Fala Você Notícias desta quarta-feira (04), recebemos Jairlla Moraes, educadora com graduação em Pedagogia e Letras Vernáculas, para uma conversa enriquecedora sobre o tema “Educação em Transformação: o papel das metodologias ativas no processo de ensino e aprendizagem”.

Durante a entrevista, Jairlla contou que sua trajetória na educação começou aos 17 anos, inspirada por sua irmã Isa, que foi aluna da primeira turma de Pedagogia da Uneb de Guanambi. “Ela me levava para os estágios enquanto eu estudava pela manhã. À tarde, a acompanhava nas atividades, e comecei a observar o gosto, o prazer, o envolvimento que ela tinha com a prática educativa — não só na sala de aula, mas também no planejamento. Ela fazia tudo com muita dedicação e maestria. Isso despertou algo em mim. Foi ali que a sementinha foi plantada”, relatou.

Ainda aos 17 anos, Jairlla iniciou o curso de Pedagogia e, no mesmo ano, ingressou como professora do ensino médio no Colégio João Durval Carneiro, através de um estágio remunerado. Ela também passou pela experiência de lecionar na educação infantil — uma etapa com a qual não se identificou — e, posteriormente, optou por cursar Letras Vernáculas.

A educadora falou sobre a evolução e o fortalecimento das metodologias ativas, que ganharam notoriedade no Brasil a partir dos anos 2000, sendo adotadas por diversas escolas de referência. Segundo Jairlla, inicialmente havia um mito de que essas metodologias se aplicavam apenas ao ensino superior. Com o tempo, percebeu-se que podem ser utilizadas em todos os níveis da educação, inclusive na educação infantil, por promoverem o protagonismo estudantil.

Ela contou que passou a pesquisar mais sobre o assunto, a aplicar as metodologias ativas em sala de aula e a observar os resultados práticos. “É uma forma de empoderar o aluno, colocá-lo no centro do processo de aprendizagem”, afirmou.

Sobre os desafios enfrentados por professores em sala de aula, Jairlla compartilhou uma prática que utiliza em seus cursos de formação docente: a metodologia ativa chamada Árvore de Problemas. Nessa atividade, os professores devem identificar causas e consequências dos desafios que vivenciam. Entre os problemas citados, ela destacou a falta de apoio familiar, baixa remuneração, falta de reconhecimento, escassez de tempo e o uso excessivo de celulares pelos alunos.

No entanto, segundo Jairlla, a metodologia termina com uma proposta de reflexão profunda: “Eles são meus alunos e também são o foco do meu processo de ensino. Provoco neles uma análise crítica: muitos reclamam de fatores sobre os quais não têm poder de ação, como a estrutura familiar dos alunos ou a falta de reconhecimento social do professor. Eu os questiono: 'Você pode mudar isso?'. E conduzimos a reflexão para a autoresponsabilidade.”

Jairlla Moraes, educadora, e Neide Lu, jornalista.

Ela conclui que cerca de 90% dos problemas apontados pelos professores não estão sob seu controle direto. Por isso, incentiva-os a focar no que podem controlar: o planejamento, a metodologia adotada, a abordagem pedagógica e a forma de avaliação.

Jairlla também desmistificou a ideia de que metodologias ativas dependem obrigatoriamente do uso de tecnologias. Segundo ela, é possível aplicar essas práticas com ou sem recursos tecnológicos. “A primeira coisa é observar se o aluno está ativo, presente, engajado. Mesmo em uma aula expositiva ou com um simples slide, se o estudante estiver conectado com o conteúdo e participando, já estamos diante de uma metodologia ativa”, explicou.

Para que haja uma verdadeira transformação educacional, Jairlla acredita que é preciso conscientizar toda a comunidade escolar. “O processo começa com as instituições e os professores, que, ao acreditarem nessa proposta, também conseguem dialogar com as famílias e demonstrar que isso é positivo. Muitas vezes, por falta de conhecimento, as pessoas pensam: ‘Ah, o professor que usa metodologia ativa não quer dar aula, deixa o aluno fazer tudo’. Mas é justamente o contrário. É um trabalho mais planejado e exigente, que busca o desenvolvimento integral do estudante.”

Sobre a retirada dos celulares dos alunos em sala de aula, Jairlla opinou que a medida não tende a funcionar. Para ela, essa decisão parte da ideia de que ninguém sabe lidar com o uso do celular no ambiente escolar, tratando-o como um vilão:

“É como se disséssemos: 'Já que eu não sei lidar com isso, vou tirar de você.' Quando, na verdade, poderíamos muito bem trabalhar o celular como nosso aliado. Retirar o aparelho representa uma perda de liberdade, um retrocesso na educação — como se estivéssemos assumindo uma derrota. É como dizer: ‘Não consegui vencer você, então me dê o celular. Não consegui fazer com que você se desligasse dele, não fui mais interessante do que ele, então você sai e fica o professor.’

Ela também argumenta que a medida não prosperará por falta de mecanismos de fiscalização e punição adequados:

“Não há sanções previstas. Por exemplo, se um aluno for pego com o celular em sala, a lei — até onde sei — não define nenhuma penalidade. Vai fazer o quê? Levar o aluno para a direção e apenas dizer que não pode usar o celular? Na prática, institucionalmente e legalmente, isso vira uma forma de amedrontar o aluno.

Ao final da entrevista, Jairlla deixou uma mensagem especial para os professores: que não se deixem desmotivar pelos primeiros resultados ao aplicar as Metodologias Ativas. “A primeira experiência pode não ser a ideal — e tudo bem. O mais importante é seguir acreditando no processo. E se não houver crença na proposta, é melhor nem levar adiante. Porque para dar certo, é preciso envolvimento e convicção”, destacou.

Clique no vídeo e assista ao bate-papo completo com Jairlla Moraes! Uma conversa inspiradora sobre inovação na educação, protagonismo estudantil e o impacto das Metodologias Ativas em sala de aula. Imperdível! 

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