Neuropediatria: Dra. Flávia Boa Sorte alerta para sinais que pais não podem ignorar

Especialista fala sobre autismo, TDAH, convulsões, atrasos no desenvolvimento e os impactos do uso excessivo de telas no cérebro infantil; entrevista é um alerta valioso para pais, educadores e cuidadores

Dra. Flávia Boa Sorte, médica neuropediatra, e Neide Lu, jornalista.

No Fala Você Notícias desta quarta-feira (28), recebemos a Dra. Flávia Boa Sorte, médica pediatra com especialização em neuropediatria, que compartilhou importantes informações sobre as doenças mais comuns que afetam o sistema neurológico infantil. Durante a entrevista, ela destacou os principais sinais de alerta que os pais devem observar, a importância do diagnóstico precoce e os avanços no tratamento dessas condições, que impactam diretamente o desenvolvimento e a qualidade de vida das crianças.

Segundo a especialista, a neurologia infantil é uma área da medicina que exige uma formação específica. Para se tornar neuropediatra, é necessário, primeiramente, concluir uma residência em pediatria ou em neurologia adulta e, em seguida, prestar prova para a especialização em neurologia infantil.

A Dra. Flávia explicou que os sinais de alerta que indicam a necessidade de avaliação com um neuropediatra incluem atraso na fala ou ausência total da linguagem verbal, crianças com oito meses que ainda não sustentam o pescoço ou não conseguem sentar sem apoio, além de casos em que, por exemplo, uma criança de um ano e sete meses ainda não anda, ou uma de dois anos que ainda não fala. Esses sinais devem ser observados com atenção pelos pais e avaliados tanto pelo pediatra quanto pelo neurologista infantil.

“Antigamente, ouvia-se muito: ‘Vamos esperar o tempo da criança, meu avô só falou com três anos’. Isso já caiu por terra. Claro que existe uma janela de tempo para o desenvolvimento de certas habilidades, mas se esse tempo passar e a criança não apresentar evolução, é preciso acender o sinal de alerta e intervir para que ela alcance essas habilidades. Todo atraso — seja na fala, seja motor — precisa ser avaliado por um neuropediatra”, afirmou.

A médica ressaltou que, antigamente, a epilepsia era a doença mais prevalente nos consultórios de neurologia infantil. Atualmente, com o aumento dos diagnósticos de transtornos do neurodesenvolvimento, essas condições se tornaram as mais frequentes. Entre elas, destacam-se o Transtorno do Espectro Autista (TEA), o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), os distúrbios de aprendizagem, a deficiência intelectual, a paralisia cerebral e outras condições ligadas a malformações identificadas ainda na gestação ou decorrentes de intercorrências durante o parto.

Crianças prematuras ou que passaram por situações de risco neurológico também devem ser acompanhadas de perto, pois têm maior chance de apresentar atrasos no neurodesenvolvimento. Além disso, a especialista mencionou as síndromes genéticas com manifestações neurológicas, as dificuldades de aprendizagem e as dores de cabeça recorrentes, que também fazem parte das queixas comuns no consultório de neuropediatria.

Dra. Flávia Boa Sorte, médica neuropediatra, e Neide Lu, jornalista.

Sobre as crises convulsivas, Dra. Flávia orientou que, ao presenciar uma crise, é fundamental manter a calma, colocar a criança em um local seguro, deitar de lado (lateralizar a cabeça), proteger a cabeça e não tentar conter os movimentos, nem colocar objetos ou as mãos na boca da criança. “Às vezes, a rigidez muscular é tão intensa que a criança pode, sem querer, machucar quem tentar segurar”, alertou.

Ela reforçou que crises com duração superior a cinco minutos ou que ocorrem pela primeira vez exigem atendimento médico imediato. “Toda crise epiléptica precisa ser avaliada por um neurologista infantil, para identificar se trata-se de epilepsia ou não. No caso de crises febris simples, de curta duração e generalizadas, o pediatra pode acompanhar. Mas, se for uma crise febril prolongada, que afete apenas um lado do corpo ou ocorra mais de uma vez em menos de 24 horas, o ideal é procurar o neuropediatra.”

Outro ponto importante abordado na entrevista foi o impacto do uso excessivo de telas no desenvolvimento neurológico das crianças. Dra. Flávia explicou que, entre três e quatro anos de idade, as crianças deveriam estar brincando de esconde-esconde, pega-pega, bolinha de gude ou brincando com blocos de montar. Nessas atividades, elas são estimuladas de forma integral: do ponto de vista motor, cognitivo, social e até imaginativo.

“Uma criança que brinca de pega-pega, por exemplo, desenvolve noções de espaço, equilíbrio e percepção do corpo. Ao brincar de esconder, ela está raciocinando, pensando estrategicamente. A imaginação também é ativada — ela pode transformar um cabo de vassoura em um cavalo ou brincar com um caminhãozinho cheio de areia, dizendo que vai construir um curral no sítio. Tudo isso estimula profundamente o cérebro infantil.”

Em contrapartida, ela alerta que crianças que passam horas em frente à televisão ou ao celular recebem apenas estímulos luminosos e auditivos passivos, sem qualquer esforço motor, linguístico ou cognitivo. “Essa criança não está sendo estimulada. A tela oferece uma estimulação zero. Aprendemos com experiências ativas, não com luzes e sons que não exigem nada do cérebro da criança.”

Dra. Flávia ainda destacou que o uso excessivo de telas está relacionado à liberação de dopamina — neurotransmissor ligado ao prazer e ao vício — o que pode provocar um comportamento compulsivo. “Quando tiramos a tela, a criança chora, se desespera, faz escândalo. Isso acontece porque o cérebro está acostumado a receber aquela dose de prazer constantemente. É um prejuízo”. 

Clique no vídeo e assista ao bate-papo completo! A Dra. Flávia Boa Sorte fala sobre autismo, TDAH, atrasos no desenvolvimento, convulsões, uso excessivo de telas e outras questões neurológicas que afetam a infância. Imperdível para pais, educadores e cuidadores!

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