Canal não dói? Dentistas desmistificam medos e contam tudo sobre o procedimento

Segundo a Dra. Bárbara Mira, o tratamento de canal consiste na remoção da polpa dentária (o “nervo”) que já não está saudável, seja por infecção ou inflamação irreversível.

Dra. Géssica Nunes, odontopediatra, Neide Lu, jornalista, e Dra. Bárbara Mira, endodontista.

No Fala Você Notícias desta terça-feira (27), recebemos a Dra. Bárbara Mira, especialista em endodontia, e a Dra. Géssica Nunes, odontopediatra da Clínica Vitalité. As profissionais trouxeram informações valiosas sobre o tratamento de canal em adultos e crianças, explicando quando o procedimento é necessário, como ele é realizado e detalhando suas etapas. Durante o bate-papo, esclareceram dúvidas frequentes e desmistificaram mitos que ainda cercam esse tipo de tratamento, reforçando a importância do atendimento especializado e precoce.

Segundo a Dra. Bárbara Mira, o tratamento de canal consiste na remoção da polpa dentária (o “nervo”) que já não está saudável, seja por infecção ou inflamação irreversível. “Essa remoção é necessária para preservar o dente na boca, algo que no passado não era possível, já que a alternativa era a extração”, explicou.

Ela comentou que muitas pessoas ainda associam o canal à dor intensa. “Todo mundo conhece alguém que conta uma história traumática sobre o tratamento de canal, mas isso vem de um tempo em que os recursos anestésicos eram limitados. Hoje, contamos com anestésicos de excelente qualidade e técnicas modernas que oferecem muito mais conforto ao paciente”, afirmou. Dra. Bárbara reforçou que, muitas vezes, a dor se intensifica porque o paciente adia a ida ao dentista, chegando ao consultório com um nível avançado de inflamação, o que dificulta a ação da anestesia.

A Dra. Géssica Nunes destacou que também existe tratamento de canal para dentes de leite, indicado quando o dente está em um estado irreversível, com dor, inflamação ou necrose, e já não pode ser restaurado de forma simples. Nesses casos, o tratamento é necessário para manter o dente na boca até sua troca natural.

A principal diferença entre o tratamento em crianças e adultos, segundo a Dra. Bárbara, está no desenvolvimento do dente. “Muitas vezes, o dente da criança ainda não está totalmente formado. É um dente permanente que pode precisar de canal, mas por ter nascido após os dentes de leite, os pais confundem e demoram para buscar atendimento. Quando a criança chega, a cárie já está extensa, exigindo o canal, mas a raiz ainda está incompleta”, explicou. Nestes casos, pode ser necessário usar uma técnica chamada tampão de MTA, que ajuda a selar o final da raiz e permite realizar o tratamento de forma mais rápida e eficaz.

Dra. Géssica chamou a atenção para a importância dos cuidados com os dentes de leite. “Existe uma cultura equivocada de que, por serem temporários, não precisam de atenção. Mas os dentes de leite têm a mesma estrutura anatômica e fisiológica dos permanentes: possuem esmalte, dentina, polpa e raízes. Se um adulto sofre com dor de dente, imagine uma criança de 4 ou 5 anos”, pontuou. Ela destacou ainda que o tratamento de canal em crianças é seguro e recomendado, desde que realizado por um especialista em odontopediatria, que saberá aplicar as técnicas adequadas para cada caso.

Dra. Géssica Nunes, odontopediatra, Dra. Bárbara Mira, endodontista, e Neide Lu, jornalista.

Outro mito abordado pela Dra. Bárbara é a ideia de que o tratamento de canal enfraquece o dente. Segundo ela, isso não é verdade. “O dente já está comprometido pela cárie quando o paciente chega. Após a limpeza completa, muitas vezes resta apenas a ‘casca’ do dente. Por isso, após o canal, é fundamental fazer a reabilitação com pino e coroa”, orientou. Ela também explicou que, no passado, o canal podia escurecer o dente por conta dos materiais usados, mas atualmente isso já não ocorre com os novos produtos disponíveis.

A Dra. Géssica acrescentou que, no tratamento de canal em crianças e adolescentes, o primeiro passo é o acolhimento humanizado. “É preciso conquistar a confiança da criança e da família, explicando com carinho o que será feito. Usamos a técnica do ‘dizer, mostrar e fazer’. Mostramos os instrumentos, explicamos para que servem e demonstramos no manequim, para que a criança se sinta segura e acolhida”, detalhou.

Ela também esclareceu que, mesmo após um tratamento de canal, o dente de leite cairá naturalmente, sem necessidade de extração. Isso porque o material utilizado para preencher os canais é mais pastoso, o que não impede a esfoliação natural.

Já o dente permanente jovem pode ser tratado, em alguns casos, em sessão única. Contudo, a Dra. Bárbara destacou que isso depende de fatores como o tempo disponível na consulta, a colaboração da criança na cadeira e a ausência de infecção ou inflamação exacerbada. “É preciso respeitar os limites da criança e avaliar caso a caso”, disse.

Por fim, Dra. Bárbara e Dra. Géssica ressaltaram que o trabalho da Clínica Vitalité é realizado de forma multiprofissional, atendendo desde crianças até adultos. Quando o paciente está na fase de dentição mista, as especialistas em odontopediatria trabalham de forma integrada, garantindo um atendimento completo e de excelência.

Clique no vídeo e assista à entrevista na íntegra para entender tudo sobre o tratamento de canal em adultos e crianças, tirar dúvidas e descobrir o que é mito e o que é verdade.

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