No Fala Você Notícias desta terça-feira (06), recebemos Luiz Gustavo, psicólogo clínico com abordagem em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e especialista em neuropsicologia, do Instituto Jaldo Cambuy. Durante sua participação, ele abordou os impactos da cultura da produtividade no bem-estar mental, refletindo sobre como a busca incessante por resultados pode desencadear quadros de ansiedade, estresse e esgotamento psicológico.
De acordo com Luiz Gustavo, a própria ideia de "cultura da performance" já carrega em seu nome uma relação direta com um estado de alerta constante. “Atualmente, as pessoas vivem uma ânsia por alcançar um sucesso idealizado, muitas vezes inatingível, amplificado pelas redes sociais e outros ambientes”, afirmou.
Segundo ele, momentos de descanso e relaxamento acabam sendo substituídos por sentimentos de culpa. “A gente se sente culpado por descansar. Quando erramos, não permitimos esse erro. Enxergamos como fracasso, como se o mundo acabasse. Sentimo-nos insuficientes, surgem pensamentos negativos e, se esses pensamentos distorcidos se mantêm, podem gerar ansiedade crônica, sensação de fracasso e insuficiência, chegando até mesmo a um quadro de Burnout”, explicou.
O psicólogo destacou que, na TCC, acredita-se que o desejo de ser melhor e produzir deve estar alinhado aos valores pessoais, à moral e àquilo que a pessoa acredita fazer sentido para sua vida. Isso difere da autocobrança excessiva, que gira em torno de pensamentos disfuncionais, como “se não for o melhor, é um fracasso” ou “se não tirar nota 10, sou o pior aluno”. Ele acrescenta: “Muitas vezes não se respeita um segundo ou terceiro lugar, há uma necessidade constante de estar no centro das atenções”.
Luiz Gustavo ressaltou que o corpo emite sinais claros quando atinge seu limite: falta de motivação, indisposição e a paralisação de atividades rotineiras devem ser encaradas como alertas. Outro sinal preocupante é uma visão negativa e constante sobre o futuro.
Ele também alertou para os efeitos da comparação nas redes sociais, que alimenta ainda mais a autocobrança e a ansiedade. “Nas redes, vemos apenas recortes da vida das pessoas, geralmente mostrando momentos perfeitos. Antigamente, postava-se uma pizza com os amigos, algo descontraído. Hoje, há uma preocupação com a estética, com o efeito da foto, com uma taça de vinho bem posicionada. As pessoas querem fazer parte de um padrão, e começam a se comparar: ‘Por que não tenho essa vida?’, ‘Por que não tenho essa rotina?’, ou ainda, ‘Por que não consigo acordar às 5h da manhã para ir à academia?’.”
Ele pontuou que é preciso cautela ao se comparar, inclusive em hábitos saudáveis, como a prática de exercícios. “Cada pessoa tem uma rotina diferente. Há quem trabalhe o dia inteiro, chegue em casa tarde e ainda precise cuidar da casa. Muitas vezes, não sobra tempo para se exercitar. A régua de comparação não pode ser a do outro”, disse.
O psicólogo orientou ainda que é importante filtrar o conteúdo consumido nas redes sociais. Em vez de seguir perfis com estilos de vida irreais ou inalcançáveis, ele recomenda seguir profissionais da área da saúde mental que compartilham conteúdos voltados ao bem-estar e à desaceleração, incentivando uma vida mais equilibrada.
Sobre o sentimento de culpa por descansar ou por não ser produtivo o tempo todo, Luiz Gustavo explicou que esses pensamentos, segundo a TCC, são classificados como desadaptativos. “Eles não impulsionam, apenas paralisam. Muitas vezes são caracterizados pela catastrofização — sempre esperar o pior. E, quando há um acúmulo desses pensamentos, pode-se desenvolver a crença de que a pessoa só tem valor se estiver produzindo”, explicou.
Por fim, ele reforçou que a Terapia Cognitivo-Comportamental é considerada padrão-ouro para o tratamento de transtornos como ansiedade, burnout e autocobrança excessiva. “A TCC é baseada em evidências e fatos reais. Os resultados são produtivos, positivos e comprovadamente eficazes. O paciente aprende a identificar seus pensamentos automáticos, que podem ou não ser distorcidos, e a dialogar com eles para evitar que se transformem em crenças limitantes. Além disso, buscamos reconectar a pessoa com seus valores pessoais — algo fundamental para a promoção da saúde mental.”
Clique no vídeo e assista ao bate-papo completo com o psicólogo Luiz Gustavo!
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