No Fala Você Notícias desta quinta-feira (24), tivemos a honra de receber Renato da Silva Matos, psicólogo e especialista em psicogerontologia, para um bate-papo esclarecedor sobre o tema “Zona de Conforto”. Atuante no Instituto Jaldo Cambuy, Renato trouxe reflexões valiosas sobre como esse estado psicológico pode impactar nossas escolhas, relacionamentos e qualidade de vida — especialmente no processo de envelhecimento.
Com uma linguagem acessível e exemplos práticos, o psicólogo ajudou os ouvintes a compreenderem os riscos de permanecer estagnado e destacou a importância de buscar o crescimento pessoal em todas as fases da vida.
Renato Matos contou que nasceu em Brumado, Bahia, mas se mudou para Guanambi com apenas um ano de idade. É formado em Psicologia pela UNIFG e, desde 2016, atua na área clínica, atendendo diversas demandas. Também é palestrante de temas variados e atende jovens, adultos e, atualmente, dedica-se com mais afinco à área do envelhecimento, sua especialização no momento.
Durante a entrevista, Renato explicou que a zona de conforto é um espaço psicológico onde evitamos enfrentar desafios ou situações que possam gerar desconforto ou risco. Nesse lugar, a rotina se mantém inalterada, sem novidades ou confrontos, e, embora seja limitada, acaba sendo conveniente. Segundo ele, apesar de o conforto ser, à primeira vista, algo positivo, quando vivenciado em excesso pode se tornar prejudicial.
Ele pontuou que viver constantemente na zona de conforto nos leva a usufruir sempre das mesmas experiências, impedindo a expansão de horizontes. Isso nos mantém em uma aparente zona de segurança, fazendo com que percamos oportunidades ao longo da vida por medo de sair desse estado.
Renato ressaltou ainda que muitas pessoas confundem zona de conforto com zona de segurança. Estar em um local seguro é algo positivo, mas, quando esse lugar se torna um obstáculo para novas vivências, a mente passa a resistir a qualquer mudança. A falsa sensação de controle limita as ações fora do padrão habitual e inibe até mesmo o desejo de experimentar algo novo — mesmo que, racionalmente, se perceba que há grande chance de a experiência ser positiva.
O especialista apontou diversos fatores que mantêm o ser humano preso à zona de conforto: medo do desconhecido, desejo por estabilidade, hábitos enraizados, rotina rígida, falta de autoconfiança, busca por recompensas imediatas e até mesmo a pressão externa. Tudo isso contribui para a limitação mental e emocional. "Dentro da zona de conforto, a pessoa sente segurança, não há instabilidade, e o emocional permanece intocado, pois já se sabe o que vai acontecer do início ao fim", explicou.
Renato também falou sobre a importância do equilíbrio. Como exemplo, mencionou pessoas que vivem em alta atividade, trabalhando quase 24 horas por dia, e que precisam aprender a desacelerar, fazer algo que gostem, descansar e encontrar um ponto de equilíbrio. Por outro lado, quem vive na zona de conforto costuma manter sempre o mesmo ritmo, sem pausas, sem novidades — o que, para essas pessoas, representa tanto conforto quanto segurança.
O psicólogo também destacou alguns sinais de que uma pessoa está presa à zona de conforto. Um exemplo é o profissional que trabalha na mesma empresa há cinco ou dez anos, realizando exatamente as mesmas tarefas todos os dias, sem qualquer evolução. Muitas vezes, essa pessoa se engana, dizendo que o ambiente não oferece oportunidades de crescimento, ou que está ali apenas por obrigação ou sobrevivência. "Quando alguém está em um lugar onde não pode — ou não quer — evoluir, talvez seja hora de repensar e buscar novos caminhos", afirmou.
Outro exemplo citado por ele foi o de pessoas que evitam socializar. A casa, a televisão e a Netflix se tornam a zona de conforto. Quando alguém liga avisando que fará uma visita, essa pessoa entra em desespero, sente ansiedade e até taquicardia, simplesmente porque será tirada de sua rotina habitual.
Renato também abordou a realidade dos idosos, afirmando que muitos têm se tornado mais dependentes e acabam presos à zona de conforto não por escolha, mas por imposição. "Muitas vezes, os cuidadores limitam a autonomia dos idosos, não permitindo que façam algo diferente ou fora da rotina. Isso os impede de viver novas experiências", destacou. Ele defendeu a importância de oferecer mais liberdade à pessoa idosa, reconhecendo seu valor, sua história e sua capacidade de realizar atividades que tragam prazer e resgatem sua autoestima.
"Por fim, o especialista destacou que romper com a repetição e praticar a autoanálise são caminhos eficazes para sair da zona de conforto e alcançar o equilíbrio. Segundo ele, é essencial encarar os desafios que surgem, reconhecendo e admitindo quando se está preso a esse estado de acomodação — só assim é possível crescer e evoluir em qualquer fase da vida."
Clique no vídeo e assista ao bate-papo completo com o psicólogo Renato Matos! Descubra como a zona de conforto pode estar afetando sua vida sem você perceber — e o que fazer para sair dela. Reflexões valiosas, dicas práticas e muito mais!
Comentários