No Fala Você Notícias desta terça-feira (15), o programa recebeu um time de especialistas para um bate-papo informativo e necessário sobre o desenvolvimento motor e de linguagem. Participaram a fonoaudióloga infantil Marianne Moura, a fisioterapeuta Patrícia Ciríaco e o fisioterapeuta Guilherme Rocha, que trouxeram orientações valiosas para pais, responsáveis e cuidadores sobre como identificar sinais de atraso no desenvolvimento, tanto em crianças quanto em adultos.
Primeiros sinais de alerta na infância
De acordo com Marianne Moura, é essencial observar, já nos primeiros meses de vida, se a criança começa a emitir as primeiras palavras, se mantém contato visual, se interage com o ambiente e busca se comunicar — ainda que não fale claramente, o importante é perceber a tentativa. A especialista também chama atenção para o interesse em brincar com outras crianças e a forma como isso acontece. “Às vezes, a criança apenas alinha os brinquedos, o que pode ser um sinal de alerta”, destaca.
Ela explica que, por volta dos dois anos, é esperado que a criança já forme frases simples, com duas palavrinhas, e que esteja escutando adequadamente. "Esses são alguns dos primeiros indicadores que merecem atenção", afirma.
Diferenças entre atraso simples, TEA e TDL
Marianne explicou ainda que, em um atraso típico de linguagem, a criança tenta se comunicar e interage, mesmo que com dificuldade. Já nos casos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem (TDL), o principal diferencial está na interação social.
“No TEA, a criança geralmente não demonstra intenção comunicativa; ela não busca se comunicar. Já no TDL, a criança tem essa intenção, quer se expressar, mas não consegue, o que a torna mais tímida e quieta. Em ambos os casos, há dificuldade na compreensão e na expressão da fala”, esclarece.
Intervenção precoce faz toda a diferença
A fonoaudióloga enfatiza que quanto antes se iniciar uma intervenção fonoaudiológica, melhor será o prognóstico. “O tempo é prejuízo. Até os três anos é o principal momento para a aquisição da linguagem de forma mais natural. Se a mãe perceber algo diferente, deve procurar ajuda o quanto antes, com um profissional capacitado”, orienta.
Importância da avaliação auditiva
Marianne também ressaltou a relevância da avaliação auditiva. “É importante saber até que ponto a criança está escutando. Existe, na audiometria, a chamada ‘banana da fala’, que indica em qual frequência a criança escuta cada som. Às vezes, a criança já fala, mas não consegue produzir certos sons porque não os escuta em determinada frequência”, explica.
Ela lembra que, caso seja identificada alguma deficiência auditiva, existem recursos como aparelhos auditivos, próteses e reabilitação das habilidades não adquiridas no período sem estimulação adequada.
A especialista reforça: “Até os cinco anos, a criança deve falar todos os sons corretamente. Se nesse período ela ainda troca letras ou não consegue pronunciar certos fonemas, é um sinal de alerta e precisa ser avaliada por um fonoaudiólogo.”
Desenvolvimento motor e fisioterapia pediátrica
A fisioterapeuta Patrícia Ciríaco explicou que uma criança que nasce com 40 semanas (ou por volta de 48 semanas gestacionais) está dentro do prazo ideal de nascimento. Segundo ela, os primeiros mil dias de vida — desde a concepção até os dois anos de idade — são considerados uma janela de ouro para o desenvolvimento infantil, conforme orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Nesse período, a cada mês, a criança deve atingir certos marcos motores. “Existe uma tabela de referência que os profissionais utilizam para acompanhar esse progresso. Muitas vezes, o pediatra é quem primeiro percebe o atraso ou, em outros casos, o próprio relato da mãe já indica a necessidade de avaliação”, explicou.
Ela destacou que, ao constatar algum problema, o ideal é iniciar o acompanhamento com um fisioterapeuta pediátrico, que pode atuar diretamente na reabilitação psicomotora da criança ou orientar os pais sobre como estimulá-la em casa. Patrícia lembrou que uma das maiores dúvidas das mães é sobre os atendimentos ocorrerem no chão.
“Desde os dois meses de vida eu digo: vai para o chão! É ali que a criança se desenvolve, pois está no nível da visão dela, com acesso aos brinquedos e estímulos. É rolando, virando, tentando se mover, que o bebê descobre sua capacidade de locomoção”, afirma.
Prematuridade exige atenção redobrada
Patrícia destacou que crianças prematuras precisam, sim, de fisioterapia. “A prematuridade indica que houve uma interrupção no tempo ideal de crescimento intrauterino, o que pode gerar atrasos. Por isso, utilizamos a ‘idade corrigida’ ao invés da cronológica para acompanhar o desenvolvimento.”
Efeitos das internações prolongadas
Patrícia, que também atua na UTI do Hospital Regional, alertou sobre os prejuízos causados por longas internações. “Pacientes que ficam muito tempo acamados perdem massa muscular rapidamente e, ao receberem alta, enfrentam grandes dificuldades. Nesses casos, é fundamental procurar fisioterapia motora e respiratória, especialmente se houve entubação.”
PNF e fisioterapia funcional
O fisioterapeuta Guilherme Rocha explicou o conceito do PNF (Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva), uma abordagem terapêutica baseada em cinco pilares: abordagem funcional, abordagem positiva, mobilização de reservas, visão integral do paciente e princípios de controle motor com base em evidências científicas.
Segundo ele, essa técnica permite tratar os pacientes em três níveis, de acordo com a Classificação Internacional de Funcionalidade (CID):
- Estrutural – onde se identificam alterações de força, dor, sensibilidade e mobilidade;
- Atividades da vida diária – como tomar banho, vestir-se e subir escadas;
- Participação social – como hobbies e práticas esportivas.
“O PNF busca devolver ao paciente sua funcionalidade, por meio de uma avaliação completa que identifica suas limitações e define um plano de reabilitação adequado”, afirmou.
Quiropraxia e prevenção de dores
Guilherme também falou sobre a quiropraxia, utilizada para diagnóstico e tratamento de dores musculoesqueléticas. Segundo ele, outras técnicas manuais complementam o trabalho, ajudando a restaurar o equilíbrio do corpo e aliviar a dor.
“A dor limita o movimento e, por isso, é fundamental fazer uma avaliação precoce para evitar prejuízos mais graves no futuro”, alerta.
Fisioterapia preventiva na terceira idade
Guilherme revelou que implantou, em Guanambi, um projeto de fisioterapia preventiva voltado para idosos. Ele realiza atendimentos domiciliares, onde conhece o ambiente do paciente e avalia suas limitações, mobilidade e força.
“A perda de força muscular é comum com o envelhecimento, mas pode ser controlada com acompanhamento adequado, garantindo mais qualidade de vida e independência na terceira idade.”
Um espaço de cuidado integral: Instituto Aquarela
Ao final do programa, os profissionais ressaltaram a proposta do Instituto Aquarela, que é oferecer um ambiente acolhedor, humanizado e comprometido com a excelência no atendimento. “Aqui, o cuidado não é apenas com o paciente individualmente, mas com toda a sua família. Trabalhamos com seriedade, empatia e acolhimento concluíram.
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