Imersão Cultural: Projeto valoriza corpo, memória e ancestralidade em Guanambi

Segundo Patrícia, o projeto Imersão é mais uma realização do grupo Nós por Nós, contemplado por meio de edital. A proposta busca fortalecer o teatro e a dança como ferramentas de expressão e resistência, unindo o teatro experimental, o teatro negro, a dança afro e o sarau Boteco Poético.

Rique Silva, escritor, Neide Lu, jornalista, e Patrícia Vilas Boas, produtora cultural.

No Fala Você Notícias desta segunda-feira (14), mergulhamos em um universo repleto de arte, cultura e ancestralidade! Recebemos Patrícia Vilas Boas, atriz, professora e produtora cultural, para falar sobre o Projeto Imersão: Movimento, Corpo e Ancestralidade, e também Rique Silva, ator, escritor e poeta, que apresentou o consagrado Boteco Poético.

Segundo Patrícia, o projeto Imersão é mais uma realização do grupo Nós por Nós, contemplado por meio de edital. A proposta busca fortalecer o teatro e a dança como ferramentas de expressão e resistência, unindo o teatro experimental, o teatro negro, a dança afro e o sarau Boteco Poético.

“A ideia é trazer um novo olhar sobre o corpo. Às vezes pensamos: ‘estou com certa idade, não posso mais dançar’, mas o corpo fala através do conhecimento cultural que carregamos. Quando falamos de ancestralidade, parece algo distante, mas está presente no nosso corpo, no nosso pensamento. Teatro, dança afro, teatro negro têm essa missão — nos reconectar, independentemente da idade, do sexo ou da persona”, explica Patrícia.

Ela reforça que o corpo é um templo sagrado e, por isso, tudo que nos afeta também pode afetar o outro. Ao adquirir consciência corporal e conhecimento, compartilhar esse saber torna-se um ato de cuidado coletivo:

“Vivemos tantas mazelas humanas que, ao cuidarmos do corpo com foco na mente e na alma, colaboramos também para o bem-estar do outro, promovendo uma formação mais humana e sensível”, afirma.

Patrícia destacou ainda que, apesar dos desafios e das vezes em que pensou em desistir, compreende a importância de sua atuação — tanto no grupo Nós por Nós quanto em projetos individuais — para inspirar e abrir caminhos às novas gerações no cenário cultural.

Já Rique Silva contou que o Boteco Poético nasceu há 13 anos, inicialmente no quintal de sua casa, e hoje ocupa museus, escolas e espaços culturais, levando poesia, música, dança, teatro e performance.

“Tudo começou de forma tímida, mas agora já ocupamos diversos espaços. Recentemente, fomos certificados como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura, através da Lei Cultura Viva. Além disso, nos tornamos evento oficial do calendário cultural do município de Guanambi, o que é resultado de muitos anos de trabalho e dedicação”, comemorou.


Patrícia Vilas Boas, produtora cultural, e Rique Silva, escritor.

Oficinas, arte e literatura em circulação

A programação do projeto inclui diversas atividades:

- Dia 16: Abertura com oficinas de teatro (manhã e tarde);

- Dia 25: Oficina de dança; 

- Dia 27: Gravação no Parque da Cidade; apresentações do Teatro Negro em outros espaços ainda serão realizadas.  

Para participar, basta seguir os perfis no Instagram @nospronoscoletivo ou @botecopoetico e acompanhar a agenda.

Atualmente, o grupo também executa o projeto Oya Oya, contemplado em edital na Dimensão Cultural. Tanto Patrícia quanto Rique foram selecionados. O projeto promove circulação literária, oficinas teatrais, e uma mostra teatral e audiovisual. Serão distribuídos 200 exemplares do livro Oya a instituições, e as oficinas acontecerão em locais como o CEEP, o Quilombo das Queimadas, o auditório da Escola Modelo, o Parque da Cidade e o distrito de Mutãs.

Conhecimento, respeito e ancestralidade

De acordo com Rique, o livro Oya é fruto de quatro anos de pesquisa e tem como base a historicidade dos povos africanos.

“Muitas vezes ouvimos falar dos povos africanos apenas em termos de escravidão e miséria. Mas não era só isso. Havia reis, rainhas, impérios bem organizados, com hierarquias, cargos, cultura e muito bem estruturadas”, destacou.

A proposta da obra é proporcionar ao leitor o contato com essa riqueza cultural, promovendo empatia, respeito e consciência antirracista. A narrativa é fundamentada tanto em vivências dos povos iorubás quanto em estudos de diversos autores e autoras da literatura antirracista.

Clique no vídeo e assista ao bate-papo completo com Patrícia Vilas Boas e Rique Silva, onde arte, corpo e ancestralidade se encontram em um diálogo poderoso e inspirador!

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