Especialista aborda o papel do cérebro no processo de aprendizagem e no TDAH

Segundo o Dr. Fernando Lauria, ao falar sobre aprendizagem, é fundamental compreender que ela está diretamente ligada à forma como recebemos os estímulos — sejam eles internos ou externos.

Dr. Fernando Lauria, neurocientista e especialista em gestão de pessoas com MBA na área

No Fala Você Notícias desta terça-feira (08), o bate-papo aconteceu com Dr. Fernando Lauria, neurocientista e especialista em gestão de pessoas com MBA na área, de forma esclarecedora sobre o fascinante universo da aprendizagem. Ele abordou como o cérebro processa informações, os principais fatores que influenciam o desempenho cognitivo e os desafios enfrentados por quem convive com o Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). A papo trouxe reflexões importantes tanto para educadores quanto para pais e alunos, destacando estratégias práticas para melhorar o foco, a memória e o rendimento escolar.

Segundo o Dr. Fernando Lauria, ao falar sobre aprendizagem, é fundamental compreender que ela está diretamente ligada à forma como recebemos os estímulos — sejam eles internos ou externos. Ele explicou que esses estímulos são captados pelos nossos sentidos e, a partir disso, encaminhados para regiões específicas do cérebro, cada uma com funções distintas. Nessas áreas, os estímulos são decodificados, interpretados e associados a informações já armazenadas em nossa memória.

“Quando essa nova informação faz sentido para o cérebro, ela se conecta a arquivos anteriores, gerando o que chamamos de aprendizagem. E, quando isso acontece, aprendemos com muito mais facilidade e conseguimos reter esse novo conhecimento de forma mais eficiente”, destacou o neurocientista.

De acordo com ele, esse é, de maneira geral, o processo que se repete em qualquer tipo de aprendizagem — seja ela acadêmica, emocional, motora ou sensorial. Tudo começa com a captação das informações, passando pelo processamento cerebral até o armazenamento no nosso repertório mental.

Dr. Fernando enfatizou que a neurociência não vem para substituir a pedagogia, mas sim para caminhar ao lado dela. “A pedagogia é soberana. Se não fosse assim, eu, como neurocientista, não teria buscado formação em pedagogia para vivenciar a realidade do chão da sala de aula. Ninguém melhor do que o professor para entender o que realmente acontece no cotidiano escolar”, afirmou.

Ele explica que, se o processo de aprendizagem acontece por meio do cérebro, é essencial entender que tudo é resultado de inúmeras conexões e comunicações cerebrais em constante atividade. A neurociência, nesse sentido, ajuda a compreender que cada cérebro é único — e que, embora o ensino seja coletivo, a aprendizagem é individual.

“Cada aluno tem seu próprio modo de aprender. Quando reconhecemos essa individualidade, conseguimos perceber as reais necessidades de cada estudante e, assim, direcionar práticas pedagógicas mais eficazes e personalizadas”, completou.

Sobre o TDAH, Dr. Fernando alertou que o transtorno vai muito além da dificuldade de atenção. Trata-se de um transtorno de aprendizagem que envolve alterações em estruturas cerebrais e deficiências em neurotransmissores, o que impacta diretamente o processo atencional. No entanto, ele ressalta que nem toda dificuldade de aprendizagem está relacionada a um transtorno.

Conforme explicou, as dificuldades emocionais, por exemplo, podem estar associadas a três fatores principais: a uma condição real — seja um transtorno ou uma vivência marcante; a falhas nas chamadas "portas de entrada" do processo de aprendizagem, que são os sentidos; ou, ainda, a práticas pedagógicas desatualizadas.

“Não adianta acreditar que as estratégias aprendidas há 30 anos serão suficientes para atingir os alunos de hoje. A realidade mudou, e nossas práticas também precisam acompanhar essa transformação”, concluiu.

 Ele explicou que a melhor definição para o TDAH é a de um transtorno do desenvolvimento do autocontrole. Ou seja, trata-se de uma condição em que há um déficit no controle inibitório — uma função executiva do cérebro responsável por manter em equilíbrio e harmonia diversas habilidades cognitivas.

Segundo o especialista, essa função executiva é o que possibilita a uma pessoa controlar seus impulsos, manter o foco, ser persistente diante das tarefas e eliminar estímulos distrativos. Quando há uma falha nesse mecanismo, o indivíduo enfrenta dificuldades em organizar pensamentos, gerenciar emoções e manter a atenção de forma consistente — características comuns em quem convive com o TDAH.

Clique no vídeo e assista à entrevista completa com o neurocientista Fernando Lauria! Descubra como o cérebro aprende, entenda os desafios do TDAH e veja dicas valiosas para melhorar o foco, a memória e o rendimento escolar. Imperdível para pais, educadores e estudantes!

 

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