No Fala Você Notícias desta terça-feira (01), recebemos as odontopediatras Dra. Rita Moitinho e Dra. Géssica Nunes, da Clínica Vitalité, para uma conversa esclarecedora sobre a importância da ortopedia funcional dos maxilares na odontopediatria. Durante a entrevista, elas destacaram como essa especialidade pode corrigir problemas no crescimento e desenvolvimento da face, proporcionando uma melhor qualidade de vida para as crianças. Além disso, explicaram a relevância do diagnóstico precoce e do acompanhamento odontológico desde a infância, prevenindo complicações futuras e garantindo um sorriso saudável.
A Dra. Géssica Nunes contou que nasceu em Guanambi e foi criada na cidade de Malhada. Durante sete anos, morou em Montes Claros, onde cursou odontologia e realizou três especializações. Após sua formação, retornou a Guanambi e atualmente trabalha ao lado da Dra. Rita Moitinho na Clínica Vitalité.
Já a Dra. Rita Moitinho destacou que se especializar em odontologia infantil é um grande desafio, pois, além de lidar com os aspectos emocionais da criança, é necessário considerar também os sentimentos da família. Muitos pais projetam seus próprios traumas nos filhos, tornando o atendimento ainda mais delicado. Segundo ela, a odontopediatria envolve todas as áreas da odontologia, mas de forma adaptada ao universo infantil.
A Dra. Rita também explicou que o atendimento odontológico para adultos é mais direto, com uma abordagem e vocabulário voltados exclusivamente para eles. Já no atendimento infantil, é essencial utilizar uma comunicação lúdica, apresentar o ambiente de forma acolhedora e transformar o processo em uma experiência leve e agradável. Dessa forma, a criança se sente mais segura, e os pais compreendem melhor o tratamento. Na Clínica Vitalité, por exemplo, cada consulta infantil dura cerca de uma hora, tempo necessário para familiarizar a criança com o consultório, utilizando recursos como o boneco Bobby odontológico para demonstrar os procedimentos.
A Dra. Géssica compartilhou sua experiência na área e destacou que, embora o atendimento infantil seja desafiador, é extremamente gratificante: “Desde a faculdade, ainda na graduação, eu já sabia que queria me especializar em odontopediatria. Como a Dra. Rita mencionou, a questão do afeto e do carinho me atraiu muito, além do fato de muitos profissionais evitarem esse público. Para mim, era um desafio que eu queria enfrentar. Além de gostar de crianças, eu via a oportunidade de ajudá-las a recuperar a autoestima e a funcionalidade da boca.”
Na Clínica Vitalité, a Dra. Rita Moitinho destacou que há a possibilidade de integrar os atendimentos infantis e maternos. Enquanto a criança recebe cuidados odontológicos, a mãe pode realizar procedimentos estéticos, como aplicação de vitaminas ou drenagem linfática. A clínica também oferece um serviço inovador: a massagem kids, ideal para crianças que estão em tratamento psicológico.
A Dra. Géssica Nunes explicou que a ortopedia funcional dos maxilares é uma extensão da ortodontia preventiva e utiliza dispositivos removíveis que atuam de forma passiva e indolor, estimulando o crescimento e desenvolvimento ósseo. Ela ressaltou que essas duas especialidades devem andar juntas, pois ambas são voltadas para o público infantil: “Hoje, no meu consultório, a maioria dos pacientes da odontopediatria também tem indicação para tratamento ortopédico. Para trabalharmos de forma integrada e corrigirmos desde problemas simples até más oclusões, essas especialidades precisam estar alinhadas.”
Dentre os problemas que a ortopedia funcional pode tratar, a Dra. Géssica citou um leque de condições, como: Mordida cruzada, que ocorre quando o paciente tem o queixo mais retraído; mordida aberta, causada por hábitos não nutritivos, como o uso prolongado chupeta ou sucção do dedo; apneia do sono, que pode estar associada ao ronco noturno e à respiração bucal, afetando a qualidade do sono; dentes encavalados; assimetrias faciais, quando um lado do rosto se desenvolve de maneira desigual.
A especialista enfatizou que quanto mais cedo o problema for detectado, melhores serão os resultados, pois o osso da criança é mais maleável. A partir dos três anos de idade, já é possível intervir de forma eficiente, pois a criança tem maior colaboração e os pais compreendem melhor a necessidade do tratamento. “Se iniciarmos muito cedo, pode ser difícil para os pais aceitarem o uso do aparelho removível, e há o risco de a criança não querer usá-lo ou até perdê-lo. Aos três anos, no entanto, já temos um equilíbrio melhor entre a aceitação e a necessidade do tratamento.”
A Dra. Rita Moitinho complementou que a falta de tratamento pode levar a problemas graves na saúde bucal, podendo até demandar cirurgia no futuro. Até os seis anos de idade, a parte óssea ainda é flexível e mais fácil de ser manipulada. “Se a intervenção ocorre antes dessa idade, as respostas biológicas são muito mais eficazes. Para meninas, o cuidado deve ser ainda maior, pois, com a chegada da menstruação, há menos possibilidades de intervenção ortopédica.” Há casos em que o diagnóstico é feito precocemente, mas os pais optam por adiar o tratamento, resultando na necessidade de ortodontia corretiva na fase adulta. No entanto, alguns problemas não podem ser revertidos nessa etapa.
Ao falar sobre os impactos da falta de tratamento no crescimento dos maxilares, a Dra. Rita explicou que diversas alterações podem ocorrer. “Às vezes, ao conversar com uma pessoa, sentimos que há algo esteticamente desalinhado, mas não conseguimos identificar exatamente o que é. Muitas vezes, isso está relacionado à mordida, que não se encaixa corretamente, levando a uma má oclusão.”
Ela ressaltou que há diversos tipos de aparelhos ortopédicos, tanto móveis quanto fixos, dependendo da idade da criança. “Temos dispositivos fixos no céu da boca, usados para expandir o palato, e o bionator, que estimula o crescimento da mandíbula, indicado especialmente para pacientes com queixo retraído.”
Dra. Géssica ressalta que o primeiro aparelho ortopédico é o peito da mãe, pois, além de fornecer nutrição, desempenha um papel fundamental no desenvolvimento ósseo. “A sucção do bebê fortalece a musculatura e estimula o crescimento craniofacial, sendo um dos primeiros passos para um desenvolvimento bucal adequado.”
Por fim, Dra. Rita conclui que, no consultório, há uma abordagem odontológica específica para bebês, permitindo que a odontopediatra avalie o frênulo lingual da criança. Muitas vezes, dificuldades na amamentação estão relacionadas a uma inserção inadequada do frênulo sob a língua, o que restringe seus movimentos. “Durante a sucção, o bebê não apenas se alimenta, mas também desenvolve a musculatura e a estrutura óssea, reduzindo a necessidade de intervenções ortodônticas no futuro”, explica.
Quer saber mais sobre a importância da ortopedia funcional dos maxilares na infância? Clique no vídeo e assista ao bate-papo completo com as odontopediatras Dra. Rita Moitinho e Dra. Géssica Nunes!
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