No Fala Você Notícias desta segunda-feira (31), o bate-papo foi com a Dra. Ana Carla Franco, médica hematologista, que abordou sobre o Março Borgonha, mês dedicado à conscientização sobre doenças hematológicas, com ênfase na importância do diagnóstico precoce e do tratamento do mieloma múltiplo. A especialista explicou os principais sintomas da doença, os fatores de risco e os avanços no tratamento, reforçando a necessidade de acompanhamento médico regular para garantir qualidade de vida aos pacientes.
Segundo a Dra. Ana Carla Franco, o Março Borgonha tem o objetivo de alertar sobre o mieloma múltiplo, a segunda neoplasia mais comum na onco-hematologia, área da hematologia que trata os cânceres do sangue. Ela destacou a relevância da conscientização:
“É uma doença muito prevalente e que precisa ser amplamente divulgada. De acordo com estudos da ABRALE (Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia), pode levar até cinco anos para que um paciente receba o diagnóstico. Quando capacitamos e informamos, conseguimos reduzir esse tempo. A intenção dessa campanha é justamente conscientizar a população sobre os sintomas e incentivar o diagnóstico precoce para que o tratamento seja mais eficaz”, explicou.
A Dra. Ana Carla ressaltou que, no sistema de regulação da saúde pública, é muito comum encontrar casos de pacientes com mieloma múltiplo. No entanto, a doença pode ser confundida com diversas outras condições. Embora a maioria dos casos ocorra em pessoas acima dos 50 anos, há registros de pacientes na faixa dos 30 a 40 anos.
Sintomas e desafios do diagnóstico
Entre os principais sintomas do mieloma múltiplo, a médica destacou: Dores ósseas; frequentemente confundidas com artrose ou hérnia de disco; alteração renal: pode levar à insuficiência renal em alguns casos; anemia: sintomas incluem cansaço extremo, palpitações ao realizar esforços e palidez; distúrbios gastrointestinais e neurológicos: prisão de ventre, sonolência excessiva e alteração do estado mental.
A especialista enfatizou que o diagnóstico definitivo só pode ser feito por meio de exames laboratoriais, sendo fundamental buscar orientação médica ao notar qualquer um desses sinais.
Atenção com a automedicação
Outro alerta importante da Dra. Ana Carla Franco foi sobre o uso indiscriminado de anti-inflamatórios por idosos que sentem dores ósseas. Ela explicou que esses medicamentos podem agravar os danos renais em pacientes com mieloma múltiplo, aumentando o risco de insuficiência renal e, consequentemente, a necessidade de hemodiálise.
“A automedicação é perigosa. O uso prolongado de anti-inflamatórios deve ser evitado, especialmente sem prescrição médica. O ideal é que esses medicamentos sejam utilizados apenas por curtos períodos e sob orientação profissional”, alertou.
Diagnóstico precoce e tratamento
Apesar de não haver fatores de risco claramente definidos, os especialistas estudam formas de identificar a doença precocemente. Segundo a Dra. Ana Carla, um exame chamado eletroforese detecta a gamopatia monoclonal, uma condição pré-mieloma que pode evoluir para a doença.
Embora o mieloma múltiplo ainda não tenha cura, a especialista afirma que a condição pode ser controlada. Após o diagnóstico, o primeiro passo é avaliar se o paciente apresenta sintomas que exigem tratamento imediato.
“Há casos de mieloma assintomático que podem ser monitorados sem necessidade de intervenção imediata. No entanto, quando há sintomas, o tratamento deve ser iniciado o quanto antes”, explicou.
Entre as opções terapêuticas disponíveis, destacam-se: Quimioterapia; transplante de medula óssea; tratamentos de suporte para controle dos sintomas e melhora da qualidade de vida.
Por fim, a Dra. Ana Carla Franco reforçou a importância da conscientização e da busca por atendimento médico especializado diante de qualquer sinal da doença.
Quer saber mais sobre o mieloma múltiplo e a importância do diagnóstico precoce? No Fala Você Notícias, a Dra. Ana Carla Franco esclarece tudo sobre o tema e alerta para os principais sintomas da doença.
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