Março Amarelo: Especialistas das Clínicas Photon e Santa Clara discutem endometriose e infertilidade

De acordo com a Dra. Bruna Cardoso, a endometriose é uma doença inflamatória crônica que, até pouco tempo, era pouco debatida, pois havia uma tendência de normatizar as cólicas menstruais.

Dra. Aidê Saraiva, ginecologista e obstetra da Clínica Santa Clara, Dra. Bruna Cardoso, especialista em endometriose da Clínica Photon, Neide Lu, jornalista, e Dr. Ítalo Melo, ginecologista e obstetr

O Março Amarelo é uma campanha de conscientização sobre a endometriose e a infertilidade, condições que afetam milhões de mulheres em idade reprodutiva. Durante esse mês, médicos, especialistas em saúde feminina e organizações promovem debates, palestras e ações para esclarecer a população sobre os sintomas, o diagnóstico e os tratamentos dessas doenças.

No Fala Você Notícias desta terça-feira (11), a Dra. Bruna Cardoso, especialista em endometriose da Clínica Photon, e a Dra. Aidê Saraiva e Dr. Ítalo Melo, ginecologistas e obstetras da Clínica Santa Clara, discutem um tema de grande relevância para a saúde feminina: a endometriose e sua relação com a infertilidade. Durante a entrevista, eles explicam os sintomas da doença, os desafios do diagnóstico, os impactos na qualidade de vida das mulheres e as opções de tratamento disponíveis. Além disso, explicam as novas abordagens terapêuticas e os avanços na medicina reprodutiva que oferecem esperança para quem deseja engravidar.

De acordo com a Dra. Bruna Cardoso, a endometriose é uma doença inflamatória crônica que, até pouco tempo, era pouco debatida, pois havia uma tendência de normatizar as cólicas menstruais. Muitas pacientes que sentem dores intensas durante o período menstrual ou desconforto na relação sexual tinham seus sintomas relativizados. Ela explica que essa falta de atenção acaba atrasando o diagnóstico da doença, que é bastante prevalente, afetando uma a cada dez mulheres. Além de impactar a saúde reprodutiva e causar dores, a endometriose pode comprometer o organismo de forma sistêmica, atingindo outras regiões além da pelve.

A Dra. Bruna compara a endometriose a manchas de nascença, esclarecendo que a mulher geralmente já nasce com a doença. Como as células endometriais respondem aos hormônios, a doença se mantém assintomática durante a infância. No entanto, com o início da menstruação, os primeiros sinais aparecem, sendo um dos principais as cólicas menstruais intensas. “Geralmente são meninas que faltam à escola, que relatam desmaios e vômitos associados à manifestação da doença, e isso acaba sendo normalizado”, destaca.

Ela menciona que muitas dessas mulheres passam anos lidando com a dor sem um diagnóstico preciso. Quando tentam engravidar, entre os 20 e 30 anos, acabam descobrindo a endometriose devido à dificuldade de concepção. “A condição de vida dessas pacientes é comprometida por conta das dores e das consequências da endometriose, que pode afetar ovários, trompas e intestino. Há até relatos de casos em que a doença atinge o diafragma, os pulmões, o nariz e até o cérebro”, explica.

Neide Lu, jornalista, Dra. Bruna Cardoso, Dra. Aidê Saraiva e Dr. Ítalo Melo.

A especialista também destaca que mulheres com histórico familiar da doença têm um risco sete a oito vezes maior de desenvolver endometriose. Além disso, trata-se de uma condição estrogênio-dependente, ou seja, quanto mais exposição ao estrogênio, maior a chance da doença progredir.

No entanto, a Dra. Bruna ressalta que nem todas as mulheres com endometriose terão dificuldades para engravidar. Dados indicam que cerca de 50% das portadoras enfrentam problemas de fertilidade. “A endometriose, por ser uma doença inflamatória, cria um ambiente hostil na pelve da mulher. Útero, ovários e trompas ficam expostos a essa inflamação, tornando a concepção mais difícil”, explica. Além disso, o processo inflamatório crônico pode causar fibroses e aderências nos órgãos, comprometendo a funcionalidade das trompas, fundamentais para a fecundação.

Quanto ao diagnóstico, a Dra. Bruna informa que atualmente os exames de padrão ouro incluem a ultrassonografia com preparo intestinal para mapeamento e a ressonância magnética com protocolo dedicado para endometriose. Segundo ela, é fundamental que o profissional responsável por realizar esses exames seja especializado na doença para uma detecção precisa. A especialista ainda menciona um exame complementar de ultrassom que avalia a permeabilidade das trompas e a funcionalidade do trato reprodutivo sem o uso de radiação ionizante ou contrastes iodados, reduzindo riscos e desconfortos para a paciente.

O Dr. Ítalo Melo alerta que a cirurgia para tratar a endometriose nem sempre é necessária. Ele enfatiza que a mudança do estilo de vida da paciente é fundamental para o controle da doença. “A paciente que tem obesidade, por exemplo, precisa perder peso, pois a inflamação associada à obesidade pode agravar a endometriose. Se não houver essa mudança, os outros tratamentos terão pouco efeito”, explica.

A Dra. Aidê Saraiva complementa que algumas pacientes, mesmo após o tratamento cirúrgico, continuam apresentando sintomas, pois a endometriose não tem cura, apenas controle. Ela recomenda que as mulheres adotem um estilo de vida saudável, incluindo dieta anti-inflamatória (com baixo consumo de açúcar, trigo e carboidratos), prática regular de atividades físicas, ingestão adequada de água e acompanhamento com nutricionistas e psicólogos. “Se a mulher faz a cirurgia, mas não adota hábitos saudáveis, dificilmente se livrará completamente dos sintomas”, alerta.

Os especialistas enfatizam a necessidade de políticas públicas que ampliem o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento da endometriose. Além disso, reforçam a importância da disseminação de informações para que mais mulheres tenham consciência sobre a doença e busquem auxílio médico o quanto antes.

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