Síndrome de Burnout: Psiquiatra alerta sobre os perigos do esgotamento extremo no trabalho

A especialista explicou que a síndrome de Burnout, apesar de ser pouco conhecida por muitas pessoas, não é uma doença nova.

Neide Lu, jornalista, e Dra. Marcela Pi, especialista em

No Fala Você Notícias desta terça-feira (25), recebemos a Dra. Marcela Pi, médica especialista em psiquiatria que atende no Instituto Jaldo Cambuí. Durante sua participação, ela trouxe uma análise aprofundada sobre a síndrome de Burnout, abordando suas causas, sintomas e impactos na saúde mental, além de destacar estratégias eficazes para prevenção e tratamento.

A especialista explicou que a síndrome de Burnout, apesar de ser pouco conhecida por muitas pessoas, não é uma doença nova. “Muitos acreditam que essa condição foi ‘inventada’ recentemente e a associam apenas ao ambiente de trabalho, mas, na realidade, já existem descrições sobre ela há bastante tempo. Atualmente, ela é considerada uma das principais doenças ocupacionais”, ressaltou Dra. Marcela.

Segundo a médica, a síndrome de Burnout se caracteriza por altos níveis de estresse, mas não se limita exclusivamente ao ambiente profissional. “Ela afeta três níveis principais: o sentimento próprio, a forma como lidamos com o outro e a crença em si mesmo e no que fazemos”, detalhou.

Sintomas e profissões mais vulneráveis

Dra. Marcela explicou que, na medicina, o termo síndrome refere-se a um conjunto de sintomas que ocorrem simultaneamente ou em grande quantidade, caracterizando um quadro clínico específico. Entre os principais sintomas do Burnout, ela destacou: Sensação de solidão; sintomas depressivos e ansiedade; sentimento de desesperança; raiva e irritabilidade; dificuldade de empatia com o outro; fraqueza e tensão muscular; preocupação constante; náuseas e vômitos; problemas gastrointestinais.

A psiquiatra também alertou que algumas profissões são mais suscetíveis ao desenvolvimento da síndrome de Burnout, especialmente aquelas relacionadas à área da saúde. “Profissionais que trabalham em setores de emergência, como médicos, enfermeiros, estudantes de medicina e até funcionários da saúde na atenção básica, lidam com uma alta demanda e pressão constante, o que aumenta significativamente o risco”, afirmou.

Além disso, ambientes de trabalho com um clima organizacional ruim também favorecem o desenvolvimento da síndrome. “Locais onde há falta de harmonia na equipe, mudanças frequentes nas regras ou até mesmo a necessidade de competição entre os funcionários podem ser fatores desencadeantes do Burnout”, pontuou.

Dra. Marcela Pi.

Diagnóstico e tratamento

Dra. Marcela destacou que, devido à cultura de tolerância ao excesso de trabalho e à multifuncionalidade, muitas pessoas demoram a buscar ajuda. “Normalmente, alguém que está sofrendo com a síndrome de Burnout leva, em média, três meses para perceber a necessidade de procurar um profissional”, observou.

O diagnóstico deve ser feito por um psiquiatra, que irá avaliar os sintomas e o impacto na vida do paciente. Já o tratamento envolve diversas abordagens, como: Identificação dos fatores que levaram ao desenvolvimento da síndrome; psicoterapia para trabalhar questões emocionais e comportamentais; registro diário das atividades para avaliar a influência do cotidiano no trabalho; técnicas de respiração, relaxamento e yoga; uso de medicação, quando necessário.

Dra. Marcela reforçou que a prevenção e o tratamento do Burnout são fundamentais para garantir qualidade de vida e bem-estar. “Cuidar da saúde mental é essencial, e buscar ajuda profissional é um passo importante para a recuperação”, concluiu.

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