6º Fórum do CMDDM em Guanambi debate violência contra a mulher e convoca homens para mudança urgente

Secretária Carla Maria e a presidente do CMDDM Wilma Moura alertam para “pandemia” da violência, destacam falhas na rede de apoio e reforçam: educação, políticas públicas e participação masculina são essenciais no enfrentamento.

Wilma Moura, presidente do CMDM, Carla Maria, secretária de Assistência Social, e Neide Lu, jornalista.

O aumento dos casos de violência contra a mulher em Guanambi acendeu um alerta urgente. Durante entrevista ao programa Fala Você Notícias hoje (24), a secretária municipal de Assistência Social, Carla Maria, e a presidente do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher (CMDDM), Wilma Moura, destacaram que o 6º Fórum do CMDDM será um espaço decisivo para discutir soluções concretas, fortalecer políticas públicas e envolver a sociedade – especialmente os homens – no combate à violência de gênero.

A realidade é dura — e não pode mais ser ignorada. Em Guanambi, os números crescentes de violência contra a mulher revelam uma crise que, segundo Wilma Moura, já pode ser considerada uma verdadeira “pandemia social”.

“Não basta ter leis. É preciso que elas saiam do papel. O que estamos vivendo exige ação, responsabilidade e compromisso real”, afirmou.

Dados apresentados durante a entrevista mostram o avanço preocupante: centenas de atendimentos já foram registrados nos últimos anos, e somente nos primeiros meses de 2026 os números continuam crescendo, evidenciando que o problema está longe de ser controlado.

Violência não tem classe social — e exige resposta coletiva

Carla Maria foi enfática ao afirmar que a violência atravessa todas as classes sociais e que as estratégias atuais, embora existentes, ainda não têm sido suficientes para conter o problema.

“Temos políticas, temos serviços, mas ainda não conseguimos impedir que muitos homens usem a violência como última alternativa. Precisamos mudar isso — e isso passa por trazer o homem para essa responsabilidade”, destacou.

A secretária reforçou que o enfrentamento precisa ir além do acolhimento das vítimas: é necessário atuar na raiz do problema, com prevenção, diálogo e mudança cultural.

O papel dos homens: de problema à solução

Um dos pontos mais fortes da entrevista foi o chamado direto à participação masculina. Para as entrevistadas, não é possível combater a violência sem envolver quem, na maioria dos casos, está no centro dela.

“O homem precisa estar nesse debate. Ele precisa entender que também é responsável por essa mudança”, pontuou Carla.

O 6º Fórum trará exatamente essa proposta: promover um diálogo aberto, com a participação ativa dos homens, buscando caminhos conjuntos para prevenir e combater a violência doméstica e familiar.

Wilma Moura, presidente do CMDM, e Carla Maria, secretária de Assistência Social.

Falhas na rede e desafios no acolhimento

Outro ponto crítico levantado foi a necessidade de fortalecer a rede de atendimento. Segundo as gestoras, ainda existem falhas na comunicação entre os órgãos e, em alguns casos, falta preparo no acolhimento das vítimas.

“Tem mulher que chega fragilizada e não se sente acolhida. Isso não pode acontecer. É preciso formação contínua para quem atende essas vítimas”, alertou Wilma.

Além disso, barreiras como medo, dependência financeira e pressão psicológica ainda impedem muitas mulheres de denunciar seus agressores.

Autonomia financeira e educação: caminhos para romper o ciclo

A independência econômica das mulheres foi apontada como uma das principais estratégias para romper o ciclo da violência.

Programas de capacitação, acesso ao crédito e incentivo ao empreendedorismo são vistos como fundamentais para que mulheres consigam sair de relações abusivas.

Mas, acima de tudo, há um consenso: a educação é o caminho mais eficaz e duradouro.

“Se a gente educar desde a base, forma homens e mulheres com  o mesmo pensamento. A mudança começa na infância”, reforçou Wilma.

6º Fórum do CMDDM: espaço de escuta, debate e construção

O evento acontece nesta quarta (25), a partir das 8h, na Câmara de Vereadores de Guanambi, e será aberto ao público.

A programação inclui: Mesa de abertura; Palestra com a defensora pública Dra. Roberta Mota;  Espaço para debate e participação popular; Construção de propostas e políticas públicas e Eleição das novas conselheiras

Mais do que um evento, o fórum será um espaço de escuta ativa e construção coletiva de soluções.

Um chamado urgente à sociedade

A mensagem final é clara e forte: não há mais espaço para silêncio. “Não queremos apenas flores ou homenagens. Queremos respeito. Queremos viver”, declarou Wilma Moura. O convite está feito — e é para todos.

Essa conversa revela verdades que muita gente ainda insiste em ignorar… quer entender por que a violência continua crescendo — e o que pode mudar essa realidade? Assista à entrevista completa no YouTube do Neide Lu Fala Você Notícias.

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