A endometriose, doença inflamatória crônica que atinge milhões de mulheres, ainda é subdiagnosticada no Brasil e pode levar à infertilidade e dor incapacitante. Durante entrevista ao programa Fala Você Notícias hoje (18), a médica radiologista Dra. Bruna Cardoso Donato alertou para a importância do diagnóstico precoce e do não reconhecimento da dor como algo “normal”.
A campanha do Março Amarelo reforça um alerta urgente: sentir dor não é normal. Durante entrevista, a médica radiologista e especialista em endometriose, Dra. Bruna Cardoso Donato, trouxe à tona uma realidade preocupante — muitas mulheres convivem por anos com a doença sem diagnóstico.
A endometriose acontece quando células semelhantes às do endométrio — camada interna do útero — se instalam fora do órgão, atingindo regiões como ovários, intestino e até outros órgãos do corpo. O problema é que essas células continuam respondendo aos hormônios, causando inflamação, sangramento e dor de forma recorrente.
“A cólica incapacitante é o principal sinal de alerta. Nenhuma dor deve ser normalizada”, destacou a especialista.
Diagnóstico pode demorar até 10 anos
Um dos pontos mais críticos é o tempo para o diagnóstico. Segundo a médica, mulheres podem levar entre 7 a 10 anos — ou até mais — para descobrir a doença.
Isso acontece por dois fatores principais:
- Falta de informação
- Normalização da dor feminina
“Muitas pacientes ouvem desde cedo que cólica é normal. E isso atrasa a investigação de uma doença séria”, explicou.
Sintomas vão muito além da cólica
A endometriose pode impactar diretamente a qualidade de vida da mulher. Entre os principais sintomas estão:
- Cólicas menstruais intensas e incapacitantes
- Dor durante a relação sexual
- Alterações intestinais e urinárias
- Inchaço abdominal (endobelly)
- Infertilidade
- Fadiga, ansiedade e depressão
Em casos mais graves, a doença pode comprometer órgãos e causar danos irreversíveis.
Doença pode afetar fertilidade e órgãos vitais
A especialista alerta que a endometriose pode atingir diversas regiões do corpo, como intestino, bexiga, ureteres e até pulmões em casos raros.
“Há mulheres que descobrem a doença apenas quando não conseguem engravidar. E, em alguns casos, já é tarde para reverter completamente”, afirmou.
Diagnóstico exige exame especializado
O diagnóstico da endometriose não é simples e precisa de:
- Escuta clínica detalhada
- Exames de imagem específicos
- Profissionais especializados
Entre os principais exames estão:
- Ultrassonografia com preparo intestinal
- Ressonância magnética especializada
“Não basta fazer o exame, é preciso saber identificar as lesões”, reforçou.
Estilo de vida também influencia
Mesmo sem cura, a endometriose pode ser controlada. Mudanças no estilo de vida fazem diferença significativa:
- Alimentação anti-inflamatória
- Prática de atividade física
- Controle do estresse
- Qualidade do sono
“O estresse inflama o corpo tanto quanto a alimentação inadequada”, destacou.
Alerta final: dor não é frescura
A médica deixou um recado direto e necessário: “Quando uma mulher diz que não está bem, ela precisa ser ouvida. Não é frescura. É saúde.”
Quer entender tudo sobre a endometriose e como identificar os sinais no seu corpo? Assista à entrevista completa no YouTube Neide Lu Fala Você Notícias e descubra informações que podem mudar — e até salvar — a vida de muitas mulheres.
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