Brincadeira ou Bullying? psicóloga Maria de Lourdes explica os limites e as consequências

Segundo Maria de Lourdes, a maioria das pessoas já passou por situações de bullying. Ela explica que o termo vem do inglês e se refere a um "valentão", alguém que comete atos de violência. A psicóloga afirma que brincar não é o mesmo que praticar bullying; brincadeiras são divertidas quando ambas as partes estão em acordo e o ambiente é leve.

Neide Lu, jornalista, e Maria de Lourdes, psicóloga clínica.

O bullying é um comportamento agressivo e intencional que causa sofrimento físico ou emocional a outra pessoa, afetando profundamente sua autoestima e segurança. Esse tipo de abuso pode se manifestar de várias formas, como insultos, fofocas, exclusão social, intimidação e até agressões físicas. Geralmente, o bullying ocorre de forma repetitiva, criando um ciclo de abuso em que a vítima se sente desamparada e, muitas vezes, incapaz de reagir. No Fala Você Notícias desta sexta-feira (01), recebemos a psicóloga clínica Maria de Lourdes para discutir o tema "Brincadeira ou Bullying?", abordando como identificar limites saudáveis nas relações e o impacto do bullying na vida das pessoas.

Segundo Maria de Lourdes, a maioria das pessoas já passou por situações de bullying. Ela explica que o termo vem do inglês e se refere a um "valentão", alguém que comete atos de violência. A psicóloga afirma que brincar não é o mesmo que praticar bullying; brincadeiras são divertidas quando ambas as partes estão em acordo e o ambiente é leve. Contudo, uma brincadeira se torna agressiva quando envolve provocações desconfortáveis, ainda que não se repitam. Já o bullying consiste em comportamentos repetitivos de violência e intimidação que geram medo e desconforto contínuos na vítima, frequentemente por parte de uma pessoa ou grupo que busca exercer poder sobre ela.

Maria de Lourdes também destacou três figuras importantes em situações de bullying: a vítima, que não revida; o agressor, que é o valentão; e os espectadores, aqueles que presenciam o bullying, mas geralmente têm medo de intervir, temendo se tornarem as próximas vítimas.

Ela pontua que o bullying não ocorre apenas nas escolas, mas também em casa, na família, no trabalho e em outros ambientes de convivência. Geralmente, pessoas que praticam bullying já passaram por experiências de violência e podem estar reproduzindo um comportamento aprendido. Embora isso não justifique suas ações, pode ser uma tentativa de lidar com inseguranças e sentimentos de fraqueza. Segundo a psicóloga, a diferença entre o bullying de hoje e o de décadas passadas é a ampliação de sua visibilidade e exposição, especialmente com a internet.

Maria de Lourdes, psicóloga clínica.

Além do bullying presencial, Lourdes ressaltou o cyberbullying, que ocorre no ambiente virtual. As formas de bullying variam: físico (agressões como empurrões ou socos), verbal (insultos e apelidos pejorativos), psicológico ou emocional (exclusão social e propagação de boatos), material (danificação ou usurpação de pertences) e sexual (assédios e insinuações indesejadas). O cyberbullying, específico do meio digital, inclui práticas como vazamento de fotos privadas e ofensas em redes sociais, espalhando rapidamente o conteúdo por dispositivos eletrônicos e plataformas.

Quando perguntada sobre como os pais podem identificar se os filhos estão sofrendo bullying, a psicóloga indicou sinais como mudanças comportamentais e emocionais. Um exemplo é a diminuição de atividades sociais, medo de ir à escola e alterações de humor. Outras indicações incluem dificuldades acadêmicas, como queda no rendimento escolar e falta de vontade de participar de atividades em grupo. Sintomas físicos também podem aparecer, como enxaquecas, vômitos, dores abdominais, insônia e mudanças no uso de dispositivos eletrônicos, com o jovem evitando ou exagerando no uso repentinamente.

O bullying pode gerar sérios transtornos psicológicos, como distúrbios de imagem corporal, alimentares, depressão, pânico, insegurança e baixa autoestima. Em casos extremos, o sofrimento gerado pode levar à ideação suicida ou até a atos de vingança.

Maria de Lourdes comentou que, muitas vezes, a vítima de bullying hesita em falar sobre o problema, sentindo-se culpada e tentando suportar a situação em silêncio. A psicóloga destacou a importância da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) como abordagem para essas situações, trabalhando tanto a cognição quanto o comportamento. A TCC utiliza técnicas como a psicoeducação, que ajudam a reconhecer as manifestações de bullying e os papéis de cada indivíduo envolvido, além de desafiar crenças prejudiciais e ensinar novos repertórios comportamentais. Quando aplicada no ambiente escolar, a TCC também pode incluir treinamento em habilidades sociais e técnicas de relaxamento, auxiliando na regulação emocional dos pacientes.

Quer entender mais sobre os limites entre brincadeira e bullying? Clique no vídeo e assista ao bate-papo completo com a psicóloga Maria de Lourdes, que explica como identificar o bullying e os impactos que ele causa na vida das pessoas. Não perca!"

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