A liberdade para escolher sua atitude em qualquer circunstância da vida

A psicóloga Valquiria Santana iniciou o bate-papo citando a música “Amor de Índio”, de Gabriel Sater e João Carlos Martins. Ela explicou que, quando a canção menciona que "tudo que move é sagrado", como a abelha que faz o mel e a massa que faz o pão, quer dizer que tudo que cumpre sua função está conectado ao todo.

Valquíria Santana, psicóloga.

A liberdade para escolher sua atitude em qualquer circunstância da vida é uma habilidade essencial que reforça a autonomia do ser humano, mesmo nas situações mais desafiadoras. Essa noção está profundamente conectada à responsabilidade individual e à compreensão de que, embora não possamos controlar os eventos que nos cercam, temos o poder de decidir como iremos reagir a eles. A psicóloga Valquiria Santana esteve no programa Fala Você Notícias nesta segunda-feira (21), onde abordou o tema “A liberdade para escolher sua atitude em qualquer circunstância da vida”. Durante sua participação, Valquiria destacou a importância de cultivar essa liberdade interior, que nos permite enfrentar adversidades com resiliência e discernimento, criando assim um impacto positivo em nossa vida e na daqueles ao nosso redor.

A psicóloga Valquiria Santana iniciou o bate-papo citando a música “Amor de Índio”, de Gabriel Sater e João Carlos Martins. Ela explicou que, quando a canção menciona que "tudo que move é sagrado", como a abelha que faz o mel e a massa que faz o pão, quer dizer que tudo que cumpre sua função está conectado ao todo. Isso, de certa forma, traz uma sensação de bem-estar e pertencimento. Ao citar o trecho “enquanto a chama arder todos os dias te ver passar”, Valquiria destacou que esse verso reflete a importância de perceber o outro para que a vida cotidiana tenha sentido: “O meu trabalho só se valida porque estou indo ao encontro de alguém. Vocês, por exemplo, estão aqui porque o trabalho de vocês é movido por aquilo que toca as pessoas que os escutam. Se não houvesse para quem direcionar, de que adiantaria?”, comentou. Segundo ela, essa música fala sobre a conexão entre os seres humanos, e que a verdadeira liberdade está alicerçada em relações bem-sucedidas. Além disso, a canção aborda o direito à liberdade de escolha em todas as situações da vida, embora as pessoas muitas vezes fiquem presas a lamentações e ciclos repetitivos. Essas circunstâncias, vistas como essenciais, fazem com que as pessoas se percam, assumindo possíveis máscaras, sem distinguir claramente o que de fato é delas e o que escolheram para si.


Valquíria Santana, psicóloga, e Neide Lu, jornalista.

Valquiria destacou que o ser humano está constantemente lidando com situações de calamidade e dificuldade, exposto a notícias negativas pela mídia, pela família, pelos colegas de trabalho e de escola. Segundo ela, há uma grande propagação de situações que não estão dando certo, e poucas pessoas falam ou promovem uma visão contrária. Ela afirmou que a qualidade de vida e o sentido da vida estão profundamente entrelaçados, mas ressaltou que a qualidade de vida não se refere a bens materiais ou questões externas, e sim à vida interior. É uma qualidade ligada à profundidade, não à quantidade, da maneira como a pessoa se expressa para o mundo. Valquiria mencionou que a liberdade, conforme discutida em pesquisas, especialmente após a Segunda Guerra Mundial e o nazismo, veio como resposta a uma época em que as pessoas foram privadas do convívio social que conheciam e expostas a uma total calamidade. Durante o regime nazista, indivíduos passaram por uma despersonalização, onde eram despidos, marcados com números e despojados de seu valor social. Foi nesse contexto que surgiu a teoria que valoriza as relações humanas refinadas e discernidas como caminho para a verdadeira liberdade.

Valquiria também sugeriu que o dia 18 de março de 2020 deveria ser considerado o “Dia Internacional da Vida Interior”, pois representou um convite à reclusão e à expansão pessoal. Foi quando muitas pessoas foram chamadas a enfrentar a si mesmas, com compromissos adiados e sem saber quando seriam retomados. Ela observou que os primeiros 15 dias desse período foram angustiantes, seguidos de uma fase de readaptação. Algumas pessoas aproveitaram essa oportunidade para acessar e expandir sua vida interior, enquanto outras não o fizeram. Para ela, muitos foram chamados, mas poucos aceitaram o convite. Além disso, destacou que essa época trouxe uma consciência, ainda que breve, sobre a fugacidade do tempo e a inevitabilidade da morte. Refletindo sobre isso, Valquiria instigou: “Se estou no palco da vida, qual é a minha função? Em alguns momentos somos coadjuvantes, mas na nossa própria vida, sempre seremos os protagonistas”. Ela concluiu que, ao tomar consciência de que o tempo é limitado, é essencial se dedicar às relações com o outro de uma maneira que deixe uma marca significativa, pois, no fundo, todo ser humano deseja ser lembrado e permanecer.

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