O Fala Você Notícias entrevistou Tiago Pascoal nesta quarta (31), servidor do Tribunal de Justiça da Bahia há 20 anos e presidente da Assembleia Geral Extraordinária do Sinpojud, realizada no dia 13 de dezembro, para tratar da grave crise institucional que envolve o sindicato dos servidores do Poder Judiciário da Bahia.
A entrevista ocorre após a participação de Samuel Nonato, que levantou denúncias de supostas irregularidades financeiras, omissão na instalação de auditoria e pedido de intervenção judicial no sindicato. Diante das acusações, Tiago Pascoal apresentou sua versão dos fatos, negou qualquer golpe e afirmou que todas as decisões foram tomadas de forma democrática, transparente e com respaldo judicial.
Segundo Tiago, o relatório citado com possíveis irregularidades financeiras, supostamente elaborado em julho de 2025, nunca foi oficialmente entregue à diretoria nem ao Conselho de Representantes, tendo apenas trechos lidos em reuniões. Ele questiona, inclusive, como irregularidades só teriam sido apontadas após mais de dois anos de gestão conjunta, levantando a hipótese de negligência administrativa.
Sobre a auditoria interna aprovada anteriormente, Tiago confirmou que não foi instalada dentro do prazo estatutário, o que teria motivado o retorno da diretora financeira ao cargo e desencadeado uma série de conflitos internos, incluindo troca de fechaduras, acionamento da polícia e registros em delegacia. Para ele, o episódio escancarou a fragilidade da condução administrativa naquele momento.
Em relação à denúncia de repasses irregulares envolvendo uma corretora de seguros no valor aproximado de R$ 63 mil, Tiago afirmou que nenhum documento foi apresentado oficialmente à diretoria, nem houve autorização formal em reunião, como exige o estatuto. “Não se pode afirmar nada sem provas. Isso só será esclarecido com uma auditoria externa séria e independente”, pontuou.
Tiago também rebateu com veemência a acusação de que a Assembleia Geral do dia 13 teria sido um “golpe”. Segundo ele, a assembleia foi legalmente convocada, teve o edital validado pela Justiça em primeira e segunda instâncias e, pela primeira vez na história do sindicato, ocorreu de forma híbrida, garantindo participação presencial e online, com direito à fala e proposição de todos os servidores — inclusive dos grupos divergentes.
Durante a assembleia, foi deliberada:
- A anulação da assembleia anterior;
- O afastamento do então presidente e de um diretor;
- A contratação de auditoria externa, por meio de processo licitatório;
- A posterior atuação da Comissão de Ética, com amplo direito de defesa;
- A realização de Congresso para reforma do estatuto;
- E a convocação das eleições sindicais.
Tiago revelou ainda que houve tentativa de boicote à assembleia, incluindo o corte da internet no local, o que o obrigou a conduzir a reunião utilizando dados móveis pessoais para garantir a participação dos servidores do interior.
Apesar do cenário crítico, ele afirmou que a situação financeira imediata foi regularizada e que, após embates com a instituição bancária, foi possível garantir o pagamento dos salários. “Hoje não existe mais uma gestão personalista. As decisões passam a ser coletivas, com democracia e transparência”, destacou.
Ao final, Tiago lamentou a divisão interna, reforçou o respeito pessoal por Samuel Nonato, mas reiterou: “Não houve golpe. Golpe é impedir fala, voto e participação. O que houve foi decisão coletiva da categoria.”
Crise, acusações, embates e decisões que podem mudar o futuro do Sinpojud: assista à entrevista completa com Tiago Pascoal no YouTube do Neide Lu Fala Você Notícias e tire suas próprias conclusões.
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