A reposição hormonal feminina é um tratamento amplamente utilizado para aliviar os sintomas da menopausa e melhorar a qualidade de vida de muitas mulheres. Durante esse período, os níveis de hormônios como estrogênio e progesterona diminuem drasticamente, resultando em sintomas como ondas de calor, suores noturnos, alterações de humor, secura vaginal, insônia e queda da libido. Esses fatores afetam tanto o bem-estar físico quanto emocional, impactando também a vida sexual e o relacionamento conjugal. No programa Fala Você Notícias desta quinta-feira (03), a Dra. Carolina Donato, ginecologista obstetra especialista em saúde feminina, abordou o tema "Reposição hormonal consciente".
Segundo ela, a menopausa ocorre geralmente entre os 45 e 55 anos, e as mulheres podem viver quase um terço de suas vidas nessa fase. A queda nos níveis de estrogênio afeta diversos aspectos da saúde, como a proteção óssea e cardíaca, além de causar diminuição do desejo sexual e ressecamento vaginal.
Dra. Carolina destaca a importância de desmistificar o tabu em torno da reposição hormonal. "Quando a reposição é bem indicada e a paciente não apresenta contraindicações, a qualidade de vida melhora absurdamente", afirmou a médica. Ela explicou que hormônios usados para prevenir a gravidez também são utilizados na reposição hormonal, e que atualmente existem hormônios bioidênticos, que têm estrutura molecular semelhante à dos hormônios produzidos naturalmente pelo corpo.
O estrogênio é o protagonista da reposição hormonal, pois oferece vigor, protege o coração, reduz a perda óssea e melhora o trofismo vaginal. No entanto, quando utilizado por mulheres com útero, é necessário associá-lo aos progestagênios para proteger o endométrio da estimulação excessiva. Dra. Carolina enfatiza que o método de administração do hormônio é selecionado de acordo com a paciente, sendo a via transdérmica, por não passar pelo fígado, uma opção mais segura em algumas situações.
Ela ressalta a importância de uma consulta detalhada, com anamnese cuidadosa, para identificar riscos e contraindicações. "A mulher tem um período ideal para iniciar a reposição. Após essa fase, os riscos podem superar os benefícios", alerta a especialista.
A reposição hormonal não deve ser feita apenas quando a mulher entra na menopausa, mas também na perimenopausa, fase em que os primeiros sinais de falência hormonal surgem. Sintomas como ondas de calor, alterações no ciclo menstrual, irritabilidade, problemas de sono e lapsos de memória são indicativos de que a qualidade de vida está sendo afetada.
Entre os hormônios utilizados, destacam-se o estradiol e a progesterona micronizada, disponíveis em formas transdérmicas, como adesivos, e em implantes. Hormônios manipulados também são uma alternativa. Sobre os efeitos colaterais, a Dra. Carolina explica que eles dependem da dose e do perfil da paciente. "Quando a reposição é feita corretamente, os benefícios superam os riscos. Estudos indicam que, após os 60 anos, é possível reduzir gradualmente a dose para minimizar riscos", afirmou.
Outro ponto abordado foi o impacto da falta de estrogênio no bem-estar sexual. O hipoestrogenismo causa ressecamento vaginal, resultando em dor durante as relações sexuais, o que reduz o desejo. "A reposição de estrogênio melhora a lubrificação vaginal e pode tornar o ato sexual menos doloroso", explicou Dra. Carolina. A reposição de testosterona, quando feita com cautela, também pode contribuir para a qualidade de vida da mulher.
A médica ainda reforçou as contraindicações absolutas para a reposição hormonal: "Pacientes com histórico de câncer de mama, doenças hepáticas ativas, doenças cardiovasculares graves, diabetes descontrolada e hipertensão sem controle não devem realizar o tratamento."
Dra. Carolina Donato também esclareceu que a menopausa normalmente ocorre entre os 45 e 50 anos, enquanto a menopausa precoce, ou insuficiência ovariana precoce, afeta mulheres com menos de 40 anos. "Essas pacientes precisam de reposição hormonal para preservar a saúde óssea e cardíaca até atingirem a idade média da menopausa", destacou.
Em relação à primeira consulta ginecológica, Dra. Carolina orienta que as meninas devem procurar um ginecologista assim que menstruarem, para esclarecer dúvidas sobre cuidados íntimos e contracepção. Ela também frisou que o uso precoce de anticoncepcionais deve ser evitado, e que o acompanhamento ginecológico é essencial para a saúde feminina em todas as fases da vida.
Dra. Carolina Donato atende na clínica Promed às segundas-feiras e no Grupo Gabriela Donato às quintas e sextas, dedicando-se à saúde feminina em sua totalidade, com especialização em cirurgias íntimas.
Clique no vídeo e assista ao bate-papo completo sobre reposição hormonal consciente!
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