Planejar sem executar: quando os sonhos viram frustração emocional

Psicóloga Maria de Lourdes explica por que tantas metas ficam no papel e alerta para os danos emocionais da procrastinação e do perfeccionismo.

Neide Lu, jornalista, e Maria de Lourdes, psicóloga.

Por que tantas pessoas planejam, fazem listas, criam metas para o ano novo… e não conseguem sair do lugar? Essa foi a reflexão central da entrevista com Maria de Lourdes, psicóloga clínica especializada em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), no programa Fala Você Notícias, nesta sexta (26).

Segundo a psicóloga, planejar dá uma sensação momentânea de controle e até prazer — impulsionada pela liberação de dopamina —, mas quando a execução não acontece, o custo emocional pode ser alto. Procrastinação, perfeccionismo, medo de errar, metas irreais e resistência à mudança estão entre os principais sabotadores do planejamento.

Maria de Lourdes alerta que muitas pessoas confundem planejamento com ação. “Planejar demais pode virar uma forma disfarçada de procrastinação”, explica. Outro ponto crítico é o perfeccionismo, que paralisa: a pessoa só quer começar quando tudo estiver ideal — o que, na prática, nunca acontece.

A psicóloga destacou ainda que metas muito amplas e pouco específicas dificultam a execução. Ela defende objetivos claros, mensuráveis e realistas, com prazos definidos, além da divisão das metas em microtarefas, facilitando o avanço gradual.

Maria de Lourdes, psicóloga clínica.

Mas o impacto mais preocupante está na saúde emocional. De acordo com Maria de Lourdes, planejar sem executar gera frustração, culpa, ansiedade, queda da autoestima, perda de motivação e até sensação de fracasso pessoal, contaminando novos ciclos e reforçando a autossabotagem.

Outro alerta importante foi sobre a repetição automática das mesmas metas ano após ano, sem reflexão. Para a psicóloga, é essencial analisar o que não funcionou, ajustar expectativas e permitir-se recomeçar de forma diferente — e não insistir no mesmo padrão.

A mensagem final da entrevista é clara e libertadora: é melhor começar imperfeito do que não começar. A ação gera aprendizado, ajustes e crescimento. Errar faz parte do processo — e não diminui ninguém.

Você vive planejando, mas não sai do lugar? Assista à entrevista completa com a psicóloga Maria de Lourdes no YouTube Neide Lu Fala Você Notícias e entenda o verdadeiro custo emocional de não agir.

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