Quando a dor vira esperança: doação de órgãos transforma luto em continuidade da vida

Enfermeira Geruza Teixeira de Lelis explica como a e-DOT do Hospital Geral de Guanambi atua para salvar vidas e conscientizar a população sobre a importância do “sim” à doação.

Neide Lu, jornalista, e Geruza Lélis, enfermeira coordenadora da e-DOT do HGG.

Falar sobre doação de órgãos ainda é um tabu para muitas famílias, mas, na prática, é falar sobre vida, amor e esperança. Esse foi o tom da entrevista concedida por Geruza Teixeira Freitas de Lelis, enfermeira coordenadora da e-DOT – Equipe Intra-hospitalar de Doação de Órgãos para Transplantes, do Hospital Geral de Guanambi, ao programa Neide Lu, o Fala Você Notícias, nesta sexta (19).

Com sensibilidade e clareza, Geruza explicou que a doação de órgãos é um dos atos mais profundos de amor incondicional. “É no momento mais doloroso da vida de uma família que nasce a chance de outras pessoas continuarem vivendo. Um pedacinho de alguém que se vai pode seguir correndo por aí, dando sentido à vida de outro”, destacou.

Durante a entrevista, a enfermeira detalhou o papel da e-DOT, equipe instituída por portaria do Ministério da Saúde, responsável por identificar possíveis doadores, acolher famílias enlutadas, orientar equipes hospitalares e articular todo o processo junto à Central Estadual de Transplantes. Ela reforçou que o acolhimento à família é prioridade, independente da resposta ser “sim” ou “não”.

Geruza também esclareceu um dos maiores medos da população: a morte encefálica. Segundo ela, o diagnóstico é rigoroso, ético e respaldado por protocolos médicos e legais, com exames clínicos e de imagem que confirmam a ausência total de atividade cerebral. “Não existe retirada de órgãos sem morte confirmada. O processo é extremamente seguro e respeitoso”, afirmou.

Geruza Lélis, enfermeira coordenadora da e-DOT do HGG, e Neide Lu, jornalista.

Outro ponto que ainda gera resistência é o receio de deformação do corpo. A coordenadora da e-DOT foi categórica: a retirada de córneas ou órgãos não impede velório com caixão aberto, e o corpo é entregue à família de forma íntegra. “Isso é um mito que ainda afasta muitas famílias do gesto de doar”, explicou.

A entrevista também revelou dados que chamam atenção: até novembro, 10 doações de córneas foram realizadas no Hospital Geral de Guanambi, enquanto a fila estadual segue extensa, com milhares de pessoas aguardando por um transplante de rim, fígado, coração ou córneas. “Se todos fossem doadores, não existiria fila”, refletiu Geruza.

Ela reforçou que qualquer pessoa pode ser doadora, desde crianças até idosos, dependendo das condições de saúde do órgão. O ponto central, segundo a enfermeira, é conversar sobre o assunto em vida e deixar claro para a família o desejo de doar, já que a decisão final é sempre dos familiares.

Ao final, Geruza deixou um apelo direto à população e aos profissionais de saúde: “Hoje você pode ser doador. Amanhã, pode ser você ou alguém que você ama esperando por um órgão. Doação não é sobre morte, é sobre permitir que a vida continue.”

Você já parou para pensar que um ‘sim’ pode devolver a visão, o fôlego ou a vida a alguém? Assista à entrevista completa no YouTube Neide Lu Fala Você Notícias e reflita sobre o poder de salvar vidas mesmo após a despedida. 

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