Ciúme NÃO é Prova de Amor: Psicóloga alerta sobre romantização e risco de abuso

Maria de Lourdes explica como o mito do ciúme “romântico” normaliza o controle, fragiliza mulheres e alimenta ciclos de violência afetiva.

Neide Lu, jornalista, e Maria de Lourdes, psicóloga.

No programa Fala Você Notícias desta sexta (12), a psicóloga clínica Maria de Lourdes, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), desmontou um dos mitos mais repetidos nos relacionamentos: a ideia de que sentir ciúme é prova de amor.

Lourdes explicou que essa crença é cultural e está enraizada na educação emocional de muitas gerações. Segundo ela, três pilares sustentam esse mito:

  1. A crença de que amor é posse e controle,

  2. A ideia de propriedade sobre o outro,

  3. E a insegurança pessoal, que alimenta comportamentos abusivos.

“Nós crescemos ouvindo que, se o outro não sente ciúme, é porque não ama. Mas isso é distorção emocional. Ciúme existe, mas o ciúme possessivo não tem nada a ver com amor”, reforçou a psicóloga.

Quando o ciúme deixa de ser comum e vira abuso?

Lourdes esclareceu que o ciúme saudável é pontual e passageiro. Já o ciúme patológico é persistente e vem acompanhado de comportamentos como:

- Vigilância constante

- Pedidos de localização ou fotos

- Invasão de privacidade

- Isolamento da vítima

- Acusações infundadas

- Controle sobre roupas, horários e decisões

- Reações emocionais exageradas.

“É o ‘FBI emocional’, como brincou a psicóloga, lembrando que muitos relacionamentos abusivos começam com um amor idealizado e depois evoluem para controle e violência psicológica.

O papel da romantização

Segundo Lourdes, novelas, histórias infantis e até conselhos antigos ajudam a criar a confusão entre cuidado e controle.

“A mulher aprende a beijar sapos esperando que virem príncipes”, disse. “E cresce ouvindo que deve suportar tudo por amor — o que inclui humilhações e violência.”

Maria de Lourdes, psicóloga TCC.

Como a psicologia ajuda?

A psicóloga destacou o papel da terapia para:

- Acolher a vítima

- Desfazer crenças distorcidas

- Ensinar limites saudáveis,

- Trabalhar autoestima,

- Reconectar a pessoa com a sua rede de apoio,

- Promover autonomia emocional e financeira,

- E orientar sobre direitos e proteção.

Por que tantas mulheres têm dificuldade de sair?

Entre os grandes obstáculos, ela destaca:

- Dependência emocional

- Dependência financeira

- Medo e manipulação

- Esperança de mudança

- Vergonha,

- Isolamento social

- E preocupação com os filhos.

“Relacionamento abusivo não começa com tapa, começa com controle”, reforçou.

Assista a entrevista completa no YouTube Neide Lu Fala Você Notícias, e entenda por que ciúme não é cuidado, não é carinho e muito menos amor.

Comentários



    Nenhum comentário, seja o primeiro a enviar.



Comentar