Suas emoções estão te controlando? Descubra o perigo de ignorar o que você sente

A psicóloga Maria de Lourdes explica como reconhecer, compreender e transformar emoções intensas em equilíbrio e autocontrole por meio da inteligência emocional.

Neide Lu, jornalista, e Maria de Lourdes, psicóloga.

A psicóloga clínica Maria de Lourdes, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), foi a convidada do programa Fala Você Notícias desta sexta (31), na 96 FM, para abordar um tema cada vez mais urgente: o controle das emoções intensas e o desenvolvimento da inteligência emocional.

Durante a entrevista, a psicóloga explicou que emoções intensas são aquelas que ultrapassam a capacidade de controle do indivíduo, gerando comportamentos impulsivos e reações desproporcionais. “Elas podem surgir por inúmeros motivos, mas o que define sua intensidade é a forma como a pessoa percebe e reage às situações”, destacou.

Maria de Lourdes ressaltou que sentir não é sinal de fraqueza. “Vivemos em uma sociedade que rejeita a vulnerabilidade e valoriza o discurso da força. Mas se permitir sentir é natural e necessário. O problema não é a emoção, e sim a dificuldade de lidar com ela”, explicou.

Baseando-se nos cinco pilares da inteligência emocional propostos por Daniel Goleman, a psicóloga destacou a importância do autoconhecimento, da autorregulação, da motivação, da empatia e das habilidades sociais. “Primeiro é preciso identificar o que se sente, para depois aprender a agir de forma mais funcional. Sem isso, não conseguimos nos gerir emocionalmente”, afirmou.

Ao falar sobre o papel da Terapia Cognitivo-Comportamental, Maria de Lourdes explicou que o processo terapêutico auxilia o paciente a identificar pensamentos automáticos e crenças limitantes que reforçam comportamentos descontrolados. “A TCC ajuda a transformar padrões mentais e comportamentais disfuncionais, substituindo a reatividade por escolhas conscientes”, completou.

Maria de Lourdes, psicóloga clínica.

A psicóloga também destacou que as redes sociais e o excesso de estímulos digitais têm contribuído para o aumento da impulsividade e da sobrecarga emocional. “Vivemos um estímulo constante de dopamina. Por isso, é essencial aprender a pausar, respirar e refletir antes de reagir. Às vezes, esperar apenas seis segundos já é o suficiente para que o cérebro racional retome o controle”, orientou.

Entre as estratégias práticas para desenvolver autoconsciência emocional, Maria de Lourdes recomenda reservar alguns minutos por dia para refletir sobre as emoções, manter um diário terapêutico, pedir feedbacks honestos e observar os sinais do corpo. Técnicas como a meditação e o mindfulness também podem auxiliar no processo de autorregulação.

Segundo ela, emoções como raiva, medo e tristeza não devem ser reprimidas, mas compreendidas. “Essas emoções existem para nos proteger e ensinar. O problema está no excesso. Precisamos entender o que sentimos e o motivo disso”, pontuou.

Encerrando a entrevista, Maria de Lourdes deixou um recado a quem sente que está no limite emocional “Pedir ajuda não é fraqueza. É um ato de coragem. Quando cuidamos da nossa saúde emocional, melhoramos nossos relacionamentos, nossa produtividade e nossa qualidade de vida.”

Assista à entrevista completa no canal Youtube Neide Lu Fala Você Notícias.

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