Alfabetização bilíngue fortalece aprendizagem de crianças surdas

Uso da Libras como primeira língua favorece a construção de conceitos e contribui para o aprendizado do português escrito.

Foto: Internet.

A alfabetização de crianças surdas vai além do reconhecimento de letras e palavras e depende do acesso a uma língua desde os primeiros anos de vida. Nesse contexto, a Língua Brasileira de Sinais (Libras) exerce papel fundamental na comunicação, na formação de conceitos e na aprendizagem do português escrito.

No Dia Nacional do Surdo, celebrado neste sábado (26), a educação bilíngue reforça a importância de garantir condições linguísticas adequadas aos estudantes. Segundo o Inep, nessa modalidade, a Libras é utilizada como língua de instrução, comunicação e ensino, enquanto o português escrito é trabalhado como segunda língua.

A proposta permite que a criança desenvolva conhecimentos por meio de uma língua visual-espacial e, posteriormente, estabeleça relações com a escrita. Para isso, podem ser utilizados recursos como imagens, objetos, histórias, jogos, vídeos e atividades do cotidiano.

A Libras possui estrutura própria e não representa uma simples tradução do português. Por isso, o processo de alfabetização precisa considerar as características linguísticas dos estudantes surdos, relacionando sinais, conceitos e palavras escritas.

Na rede municipal de Camaçari, 18 estudantes surdos estão matriculados da Educação Infantil aos Anos Finais, sendo oito deles, entre 7 e 21 anos, atendidos em processo de alfabetização no serviço especializado. Os alunos já alfabetizados matriculados na rede regular contam com intérpretes de Libras.

O trabalho também envolve as famílias, que podem participar da aprendizagem da Libras e ampliar a comunicação dentro de casa. A integração entre escola, família, Libras e português escrito contribui para ampliar as possibilidades de aprendizagem e autonomia dos estudantes.

Na Bahia, dados do Censo Escolar 2024 registraram 1.258 estudantes com surdez matriculados em classes comuns do ensino regular e/ou EJA, além de 3.972 alunos com deficiência auditiva e 57 com surdocegueira. Na rede estadual, o número de estudantes declarados com surdez chegou a 593 em 2026.

A educação bilíngue, portanto, busca assegurar não apenas o acesso à escola, mas também o direito à aprendizagem em uma língua acessível, fortalecendo a participação e o desenvolvimento das crianças surdas.

Fontes: Inep; Secretaria da Educação de Camaçari; Secretaria da Educação do Estado da Bahia

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