A pele da tilápia, transformada em um curativo biológico, desenvolvido a partir de pesquisas da Universidade Federal do Ceará (UFC), está avançando para a produção em escala industrial. A tecnologia é destinada ao tratamento de queimaduras e feridas e deverá ganhar uma unidade de fabricação em Jaguaribara, no Ceará.
A pesquisa, conduzida pelo Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da UFC, utiliza a pele do peixe como biomaterial. Estudos da universidade apontam potencial para reduzir a frequência de trocas de curativos e auxiliar no processo de recuperação de pacientes.
Atualmente, a produção ainda é limitada, com cerca de 600 unidades mensais nos laboratórios do NPDM. Com a transferência da tecnologia para a iniciativa privada, a expectativa divulgada é de que a futura fábrica alcance 4,3 mil curativos por dia no primeiro ano de funcionamento.
Como funciona o curativo
O material passa por um processo de liofilização, que permite sua conservação e preparação para utilização médica. Pesquisas clínicas realizadas pela UFC avaliaram a pele de tilápia liofilizada no tratamento de queimaduras de segundo grau superficial e apontaram sua eficácia como curativo biológico oclusivo.
A tecnologia também vem sendo estudada para outras aplicações médicas, incluindo o tratamento de feridas crônicas e procedimentos cirúrgicos de reconstrução.
A futura produção industrial representa uma nova etapa de uma pesquisa iniciada na UFC há mais de uma década. Em 2025, a universidade formalizou o licenciamento da tecnologia para empresas responsáveis pelo desenvolvimento, produção e comercialização do curativo.
Com a industrialização, a tecnologia brasileira poderá ampliar o acesso a esse tipo de biomaterial e levar os curativos a diferentes regiões, além de possibilitar a expansão para outros mercados.
Fontes: Universidade Federal do Ceará (UFC); Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM); Repositório Institucional da UFC
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