Consumo de medicamentos para saúde mental cresce no Brasil

Levantamento aponta aumento no uso de remédios e nos atendimentos psicossociais; especialista alerta contra automedicação.

Foto: Reprodução.

O consumo de medicamentos relacionados à saúde mental aumentou no Brasil na última década, acompanhado pelo crescimento da procura por atendimento psicossocial no SUS. Dados de levantamento do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) mostram que o uso desses medicamentos passou de 29 milhões, em 2013, para 44,6 milhões em 2023, enquanto os atendimentos psicossociais praticamente dobraram, de 13,1 milhões para 26,4 milhões.

O crescimento pode estar relacionado tanto ao aumento do sofrimento psíquico quanto à redução do estigma em torno dos transtornos mentais. Apesar disso, especialistas alertam que nem todo sofrimento emocional exige tratamento medicamentoso. Tristeza, frustração e ansiedade diante de situações específicas podem fazer parte da experiência humana.

A medicação pode ser indicada em quadros como depressão, transtornos de ansiedade, bipolaridade, esquizofrenia e TDAH, conforme avaliação individual. Em determinadas situações, psicoterapia e mudanças no estilo de vida podem ser suficientes; em outras, os medicamentos são necessários e podem ser associados a essas estratégias.

Automedicação exige atenção

O uso de remédios psiquiátricos sem avaliação profissional pode provocar efeitos adversos, mascarar sintomas e atrasar o diagnóstico correto. Medicamentos não devem ser compartilhados, mesmo quando outra pessoa apresenta sintomas semelhantes.

A indicação para crianças e adolescentes requer atenção especial, considerando o desenvolvimento, os possíveis efeitos colaterais e a necessidade de acompanhamento contínuo.

Outro alerta envolve medicamentos que exigem redução gradual. Doses não devem ser aumentadas, reduzidas ou interrompidas por conta própria, pois a suspensão abrupta pode causar sintomas de retirada e favorecer o retorno ou agravamento do quadro.

A duração do tratamento também varia conforme o diagnóstico, a gravidade, a resposta terapêutica e o histórico do paciente. Em alguns casos, pode durar meses; em outros, anos.

O aumento do acesso ao tratamento em saúde mental é considerado importante, mas o uso de medicamentos deve ocorrer com indicação e acompanhamento profissional. A avaliação individual é fundamental para definir quando o remédio é necessário, qual tratamento é mais adequado e por quanto tempo deve ser mantido.

Fontes: Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS); especialista em psiquiatria

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