Uma pesquisa publicada na revista Nature Genetics identificou alterações na regulação do DNA que podem ajudar a explicar por que alguns gliomas, tumores cerebrais mais comuns em adultos jovens, evoluem de maneira rápida e agressiva. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Weill Cornell Medicine, nos Estados Unidos.
A investigação aponta que mudanças na metilação do DNA podem alterar a forma como determinados genes são ativados ou desativados, favorecendo o surgimento de células mais imaturas, com maior capacidade de multiplicação e resistência aos tratamentos.
Os gliomas com mutação no gene IDH geralmente apresentam crescimento mais lento e prognóstico inicial mais favorável, mas alguns podem evoluir para formas mais agressivas. Segundo os pesquisadores, essa transformação não depende apenas do surgimento de novas mutações, mas também de alterações nos mecanismos que regulam a atividade dos genes.
A descoberta pode ajudar a compreender por que tumores que permanecem estáveis durante anos apresentam, em determinado momento, uma progressão acelerada. O mecanismo identificado também pode contribuir futuramente para estimar o risco de avanço da doença antes mesmo de alterações visíveis em exames de imagem.
Os resultados ainda não têm aplicação imediata na prática clínica. Entretanto, os pesquisadores avaliam que o conhecimento sobre os padrões de metilação pode contribuir para aperfeiçoar o prognóstico e identificar pacientes com maior possibilidade de responder a determinados tratamentos.
Outra possibilidade é compreender melhor por que alguns pacientes não respondem aos inibidores de IDH, utilizados em conjunto com estratégias como cirurgia, quimioterapia e radioterapia. A hipótese é que tumores com maior perda de metilação possam apresentar características que dificultam a resposta ao medicamento.
Os achados ampliam o conhecimento sobre os mecanismos envolvidos na progressão dos gliomas e podem abrir caminho para novas estratégias de diagnóstico e tratamento. Estudos futuros ainda serão necessários para confirmar essas hipóteses e avaliar sua aplicação na prática médica.
Fontes: Nature Genetics; Weill Cornell Medicine; Einstein Hospital Israelita
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