Medicamento contra câncer reduz reservatório do HIV em macacos, aponta estudo

Venetoclax apresentou redução de células infectadas em animais, mas eficácia contra o HIV em humanos ainda precisa ser comprovada.

Foto: Reprodução.

Um medicamento usado no tratamento de alguns tipos de câncer reduziu o reservatório viral associado ao HIV em macacos, segundo estudo publicado na revista Nature Microbiology. A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade Emory, nos Estados Unidos, e abre caminho para novas investigações sobre estratégias de controle do vírus.

O medicamento venetoclax atua sobre a proteína BCL-2, que ajuda na sobrevivência das células. Como essa proteína também está presente em células infectadas pelo HIV, os pesquisadores avaliaram se seu bloqueio poderia atingir parte do chamado reservatório viral.

Nos testes, 24 macacos rhesus infectados com o vírus da imunodeficiência símia (SIV) receberam terapia antirretroviral, com ou sem venetoclax. Os animais que receberam o medicamento apresentaram redução rápida e sustentada do reservatório de SIV no sangue e nos linfonodos.

Apesar do resultado, o tratamento não eliminou todas as células infectadas. Os pesquisadores identificaram mecanismos adicionais de proteção celular, indicando que futuras estratégias podem combinar o bloqueio da BCL-2 com outras abordagens.

Testes em humanos

Os resultados ainda não permitem afirmar que o venetoclax seja uma cura para o HIV. A pesquisa foi realizada em animais e precisa ser confirmada em estudos clínicos.

Ensaios em humanos já avaliam a segurança e o potencial do medicamento para reduzir o reservatório viral em pessoas que vivem com HIV e utilizam terapia antirretroviral.

A expectativa é que novas pesquisas indiquem se a estratégia poderá contribuir para alcançar, no futuro, períodos de remissão do HIV sem tratamento contínuo. Até lá, a terapia antirretroviral permanece essencial para controlar a infecção, e o venetoclax não deve ser utilizado contra o HIV fora de estudos clínicos.

Fontes: Universidade Emory; Nature Microbiology; pesquisadores do estudo / CFF

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