Unicef alerta: 15 milhões de crianças foram expostas a conteúdo sexual online

Relatório aponta que 20 milhões de crianças e adolescentes sofreram algum tipo de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia em um ano.

Foto: © Bruno Peres/Agência Brasil.

O ambiente digital tem ampliado os riscos de exploração e abuso sexual contra crianças e adolescentes. Segundo novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), cerca de 20 milhões de jovens de 21 países passaram por algum tipo de violência sexual facilitada pela tecnologia em um período de 12 meses.

Entre as vítimas, aproximadamente 15 milhões foram expostas a conteúdo sexual indesejado, enquanto 9 milhões teriam sido pressionadas a participar de conversas de teor sexual ou compartilhar imagens contra a vontade. Outros 4 milhões tiveram imagens íntimas divulgadas.

Os números fazem parte do relatório Pelos Olhos das Crianças: Como as Tecnologias Digitais Facilitam o Abuso Sexual Infantil, elaborado a partir de entrevistas com 21 mil adolescentes de 12 a 17 anos, realizadas entre 2020 e 2025. O Unicef ressalta que os dados podem representar apenas parte do problema, já que muitas vítimas não denunciam por não saberem onde ou a quem pedir ajuda.

As redes sociais e aplicativos de mensagens concentram cerca de 60% dos casos registrados. Jogos online também aparecem como ambientes de risco, respondendo por aproximadamente 14% das ocorrências.

O relatório chama atenção ainda para o perfil dos agressores. Em 57% dos casos relatados, eles já faziam parte do círculo de convivência das vítimas, como familiares, amigos, conhecidos ou parceiros. Em outros 38%, o contato inicial ocorreu pela internet, facilitado por perfis falsos e mensagens privadas.

Cenário brasileiro

No Brasil, 19% dos entrevistados relataram experiências relacionadas a esse tipo de violência, o equivalente a quase 3 milhões de crianças e adolescentes. A internet esteve presente em 55,5% dos casos, enquanto a escola apareceu em 24,5%.

Aplicativos de mensagens e redes sociais foram apontados como os principais ambientes de risco, com 66,5% dos registros. Instagram e WhatsApp tiveram destaque, com 57,2% e 52,1%, respectivamente. Jogos online representaram 12,3%.

O Unicef reforça que a prevenção depende de maior proteção no ambiente digital, canais acessíveis de denúncia e orientação para que crianças e adolescentes saibam onde buscar ajuda diante de situações de abuso, ameaça ou chantagem.

Fontes: Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef); relatório Pelos Olhos das Crianças: Como as Tecnologias Digitais Facilitam o Abuso Sexual Infantil

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