Perda gestacional pode afetar saúde mental e exige acolhimento especializado

Luto após a interrupção da gravidez pode provocar sofrimento intenso, ansiedade e depressão; apoio familiar e acompanhamento profissional são importantes.

Foto: © Tomaz Silva/Agência Brasil.

A perda gestacional pode desencadear um período de intenso sofrimento emocional e, em alguns casos, evoluir para quadros de ansiedade ou depressão. Especialistas alertam que o acolhimento da mulher por familiares, amigos e profissionais de saúde é fundamental durante o processo de luto.

Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), esse cuidado ainda é frequentemente negligenciado. A entidade reforça a importância da atenção à saúde mental, especialmente durante o Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio.

A perda pode ocorrer mesmo nas primeiras semanas da gestação e provocar tristeza profunda, sensação de vazio, culpa, irritabilidade, ansiedade, alterações no sono e perda de interesse pelas atividades cotidianas. Especialistas destacam que essas reações podem fazer parte do luto e não significam necessariamente a existência de um transtorno psiquiátrico.

O alerta aumenta quando o sofrimento persiste e começa a comprometer atividades básicas, como alimentação, sono e rotina. Choro constante, isolamento, perda de funcionalidade, sentimentos de fracasso ou pensamentos de que a vida perdeu o sentido são sinais que exigem atenção profissional.

Além dos efeitos emocionais, as alterações hormonais decorrentes da interrupção da gestação também podem influenciar o estado psicológico. Quando há evolução para depressão ou luto prolongado e incapacitante, profissionais podem indicar psicoterapia e, quando necessário, tratamento medicamentoso.

Para especialistas, a mulher não deve enfrentar esse momento sozinha. O acompanhamento médico deve ser associado ao suporte de familiares e amigos, respeitando as diferentes fases do luto.

Experiências compartilhadas por outras mulheres também podem contribuir para o acolhimento. Comunidades de apoio, inclusive em ambientes virtuais, têm sido utilizadas para troca de experiências e para que mulheres encontrem espaços onde possam falar sobre a perda.

Pessoas que estejam enfrentando sofrimento intenso ou pensamentos relacionados à própria morte devem procurar ajuda imediatamente e conversar com alguém de confiança.

Entre os serviços disponíveis estão Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (Caps), UPAs, pronto-socorros e hospitais. Em situações de emergência, o SAMU pode ser acionado pelo telefone 192.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia.

O cuidado com a saúde mental após uma perda gestacional deve fazer parte da assistência à mulher. Reconhecer o sofrimento, oferecer escuta e buscar ajuda profissional quando necessário são passos importantes para atravessar o período de luto com segurança e acolhimento.

Fonte: Agência Brasil / Ministério da Saúde / Febrasgo

Entre no nosso canal de WhatsApp e receba notícias em tempo real, Clique aqui

Inscreva-se em nosso canal no Youtube, Clique aqui

Comentários



    Nenhum comentário, seja o primeiro a enviar.



Comentar