Descarte incorreto de antibióticos pode favorecer superbactérias

Medicamentos jogados no lixo ou no esgoto podem contribuir para a resistência antimicrobiana; farmacêuticos orientam sobre a destinação adequada.

Foto: Reprodução.

Jogar antibióticos vencidos ou sobras de tratamentos no lixo comum, pia ou vaso sanitário pode contribuir para a resistência antimicrobiana, um problema que ameaça a eficácia de medicamentos usados no combate a infecções. Quando resíduos desses fármacos chegam ao meio ambiente, podem favorecer a sobrevivência de bactérias resistentes.

No esgoto, pequenas concentrações de antibióticos podem permanecer após o tratamento e alcançar rios, córregos e solos. A exposição contínua cria uma pressão seletiva que favorece microrganismos mais resistentes, capazes de se multiplicar e transmitir genes de resistência.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a resistência antimicrobiana uma das principais ameaças à saúde pública mundial. Em 2019, infecções bacterianas resistentes a medicamentos estiveram diretamente relacionadas a cerca de 1,27 milhão de mortes no mundo.

Embora o descarte doméstico seja apenas uma parte do problema, especialistas alertam que o hábito é comum. Sobras de medicamentos não devem ser guardadas para uma futura utilização nem descartadas junto ao lixo doméstico ou na rede de esgoto.

Medicamentos vencidos ou que não serão mais utilizados devem ser entregues em farmácias, drogarias ou pontos de coleta que recebam esse tipo de resíduo. A destinação adequada evita que os princípios ativos contaminem o ambiente.

A legislação brasileira estabelece regras para o gerenciamento desses resíduos, incluindo a logística reversa de medicamentos domiciliares vencidos ou em desuso. Os produtos recolhidos devem seguir para tratamento e destinação ambientalmente adequada.

O farmacêutico está entre os profissionais que podem orientar a população sobre o uso racional de antibióticos, a conclusão correta dos tratamentos e o destino das sobras. Nas farmácias que possuem pontos de coleta, também atua na orientação para a devolução dos medicamentos.

Além disso, em hospitais, a atuação farmacêutica na antibioticoterapia pode contribuir para o uso adequado desses medicamentos, evitando excessos e reduzindo riscos associados à resistência bacteriana.

A participação do consumidor também é fundamental. Antibióticos não devem ser reutilizados por conta própria em uma nova infecção, e as sobras precisam receber a destinação correta.

O descarte responsável de antibióticos é uma medida simples que ajuda a proteger o meio ambiente e a preservar a eficácia dos tratamentos. Entregar medicamentos vencidos ou sem uso em pontos de coleta autorizados é uma atitude que contribui para reduzir a disseminação da resistência antimicrobiana e proteger a saúde das próximas gerações.

Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Conselho Federal de Farmácia (CFF) e Ministério da Saúde

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