A insônia é mais frequente entre mulheres e pode se intensificar durante a menopausa. Dados do Ministério da Saúde apontam que o problema atinge 36,2% das mulheres, contra 26,2% dos homens. Entre as pessoas de 45 a 54 anos, faixa que concentra o período de transição para a menopausa, estão 39,7% dos casos registrados.
As alterações hormonais ao longo da vida feminina, como durante a menstruação, gravidez, amamentação e menopausa, podem interferir diretamente na qualidade do sono. A rotina intensa, a sobrecarga de tarefas e a maior ocorrência de ansiedade entre mulheres também podem contribuir para o problema.
Durante o climatério, fase de transição entre o período reprodutivo e não reprodutivo, ocorre uma redução gradual dos hormônios ovarianos. Essa mudança pode provocar sintomas como ondas de calor, alterações de humor, ganho de peso, problemas urinários e dificuldades de concentração e memória.
Os chamados fogachos, especialmente durante a noite, podem aumentar os despertares e fragmentar o sono. Também pode ocorrer redução do sono profundo, menor eficiência do descanso e aumento das queixas de insônia.
Hábitos podem prejudicar o sono
Além das alterações hormonais, comportamentos cotidianos podem agravar a dificuldade para dormir. Entre os principais estão:
- Horários irregulares para dormir e acordar;
- Permanecer tempo excessivo na cama;
- Pouca exposição à luz solar;
- Falta de atividade física;
- Alimentação e horários das refeições desregulados;
- Refeições pesadas próximas ao horário de dormir;
- Excesso de cafeína e estimulantes à noite;
- Uso prolongado de telas antes de dormir.
Tratamento deve ser individualizado
A avaliação médica é recomendada quando a insônia se torna frequente, interfere na rotina ou faz a pessoa acordar cansada. A Terapia Cognitivo-Comportamental para Insônia (TCC-I) é considerada uma das principais abordagens para o tratamento, com estratégias voltadas à mudança de hábitos, comportamentos e pensamentos relacionados ao sono.
Em situações específicas, medicamentos podem ser indicados. As chamadas drogas Z, utilizadas em alguns casos de insônia, exigem acompanhamento médico devido ao risco de dependência e aos efeitos associados ao uso prolongado. A redução da dose também deve ser feita de forma gradual e sob orientação profissional.
Uma das estratégias recomendadas para identificar os fatores que prejudicam o descanso é manter um diário do sono por cerca de uma semana. Devem ser anotados os horários de deitar e levantar, o tempo necessário para adormecer, os despertares durante a madrugada e a duração aproximada do sono.
Durante a menopausa, a avaliação inicial pode envolver acompanhamento ginecológico para investigar alterações hormonais. Caso a dificuldade persista, também podem ser analisados fatores emocionais, doenças preexistentes e o uso de medicamentos.
Identificar a causa da insônia é fundamental para definir o tratamento adequado e evitar que o problema se torne persistente. A orientação profissional é especialmente importante quando a falta de sono começa a comprometer a disposição e o desempenho durante o dia.
Fontes: Ministério da Saúde, Vigitel 2024 e Academia Brasileira de Neurologia (ABN)
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