Os riscos enfrentados por crianças e adolescentes na internet voltaram ao centro do debate após a suspensão cautelar das transmissões ao vivo do Discord no Brasil. A medida reacendeu a discussão sobre a segurança de menores nas plataformas digitais e reforçou a importância da participação dos pais na rotina virtual dos filhos.
A decisão da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) ocorreu após a morte de uma adolescente de 13 anos durante uma transmissão ao vivo em julho. O episódio também colocou em evidência o ECA Digital, marco legal que amplia as medidas de proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual.
Segundo especialistas, entre os principais riscos estão contato com desconhecidos, conteúdos inadequados, golpes, exposição excessiva e violações de privacidade. A nova legislação estabelece que as plataformas adotem medidas preventivas de acordo com os riscos oferecidos aos menores.
A advogada especialista em direito digital Alessandra Tanure destaca que a proteção não deve ficar restrita às plataformas. Pais e responsáveis precisam acompanhar de maneira contínua a experiência digital dos filhos, observando contatos, conteúdos acessados e possíveis situações de exposição.
Na avaliação da psicóloga Laíse Brito, o excesso de exposição nas redes pode afetar o desenvolvimento emocional, especialmente durante a infância e adolescência. Entre os problemas associados ao uso excessivo das telas estão distorção da imagem corporal, transtornos alimentares e dependência da aprovação de outras pessoas.
A especialista também alerta que elogios e validações recebidos de desconhecidos na internet não substituem relações presenciais e vínculos familiares.
A recomendação é estabelecer horários e limites para o uso das telas, acompanhar os conteúdos consumidos e evitar, sempre que possível, que crianças tenham perfis próprios em redes sociais.
Quando o acesso às plataformas já faz parte da rotina, especialistas sugerem combinar supervisão familiar com atividades fora do ambiente digital, como esportes, leitura, brincadeiras e atividades manuais.
Famílias que permitem a presença dos filhos nas redes também relatam adotar estratégias de controle. Entre elas estão a administração dos perfis pelos próprios responsáveis, restrição de horários e acompanhamento de comentários e contatos.
As escolas também têm participação importante na prevenção. Especialistas recomendam capacitação de profissionais, canais de escuta para situações de assédio ou aliciamento e diálogo permanente com as famílias.
O objetivo não é simplesmente afastar crianças e adolescentes da tecnologia, mas criar condições para que o uso seja mais seguro e equilibrado. Nesse processo, plataformas, escolas e responsáveis precisam compartilhar responsabilidades para reduzir os riscos do ambiente digital.
Fontes: Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), especialistas em direito digital e psicologia
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