Tireoide na gestação: novas recomendações mudam uso de levotiroxina

Gestantes com anti-TPO positivo e função normal da tireoide não devem usar hormônio de forma preventiva.

Foto: © Fotorech/Pixabay.

Gestantes com anticorpos anti-TPO positivos, mas com funcionamento normal da tireoide, não devem utilizar levotiroxina preventivamente. A nova recomendação, adotada por entidades médicas brasileiras, é baseada em estudos que não identificaram redução no risco de aborto ou parto prematuro com o uso do medicamento nesses casos.

A orientação estabelece que a presença isolada do anticorpo não é suficiente para indicar tratamento. Quando os níveis de TSH e T4 livre estão normais, a gestante deve ser acompanhada, pois existe maior risco de desenvolvimento de hipotireoidismo durante a gravidez.

Para mulheres que já apresentavam hipotireoidismo antes da gestação, permanece a recomendação de ajuste da dose da levotiroxina, geralmente com aumento aproximado de 30%, sob acompanhamento médico.

Rastreamento precoce será mantido no Brasil

O Brasil continuará recomendando o rastreamento das alterações da tireoide desde o início da gravidez. A medida busca identificar precocemente as gestantes que realmente precisam de tratamento e evitar tanto o diagnóstico tardio quanto o uso desnecessário de medicamentos.

Também houve mudanças na abordagem do hipotireoidismo subclínico. Casos com TSH entre 4,0 e 10 mUI/L terão maior atenção no primeiro trimestre, período considerado importante para o desenvolvimento fetal. Nos trimestres seguintes, a conduta pode ser apenas de acompanhamento, salvo alterações mais importantes.

Quando não for possível testar todas as gestantes, a prioridade deve ser dada às mulheres com histórico de doenças da tireoide, doenças autoimunes, infertilidade, abortamentos recorrentes, histórico familiar ou uso de medicamentos que interferem no funcionamento da glândula.

As recomendações também deixam de considerar, isoladamente, fatores como idade materna, obesidade e número de gestações anteriores para a classificação de risco.

Suplementação de iodo deve ser individualizada

A suplementação de iodo não será indicada automaticamente para todas as gestantes. A necessidade deve ser avaliada individualmente, principalmente em mulheres com dietas restritivas, baixo consumo de sal iodado ou dificuldades na absorção do nutriente.

As novas orientações reforçam a importância do acompanhamento da tireoide durante a gestação, com diagnóstico precoce e tratamento direcionado apenas aos casos que realmente apresentem indicação médica, evitando o uso preventivo de levotiroxina sem benefício científico comprovado.

Fonte: Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) / Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo)/ agência Brasil

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