Inadimplência de aluguel cresce na Bahia e atraso de condomínio pode levar à perda do imóvel

Taxa de inadimplência do aluguel chegou a 4,83% em julho no estado, enquanto especialistas alertam para os riscos do endividamento e das dívidas relacionadas à moradia.

Foto: Freepik.

A inadimplência de aluguel voltou a subir na Bahia e alcançou 4,83% em julho, ampliando o alerta sobre a pressão das despesas de moradia no orçamento das famílias. O índice ficou acima da média nacional, de 3,05%, e especialistas apontam que inflação, juros altos e o aumento das despesas básicas dificultam o pagamento de aluguel, condomínio e outras contas.

Na comparação com junho, quando a taxa era de 4,62%, houve alta de 0,21 ponto percentual. Em relação a julho de 2025, o avanço foi de 0,90 ponto percentual, já que o índice estava em 3,93%.

Os dados foram apresentados durante o Superlógica Next 2026, evento realizado em São Paulo. A análise aponta que o comprometimento da renda com moradia deixa famílias mais vulneráveis a qualquer aumento nas despesas mensais.

Entre os imóveis residenciais analisados, aqueles com aluguel de até R$ 1 mil registraram a maior taxa de inadimplência em julho, chegando a 5,99%. No segmento comercial, os imóveis nessa mesma faixa alcançaram índice ainda maior, de 7,27%.

No Nordeste, a inadimplência dos imóveis comerciais foi de 7,18%, enquanto as casas registraram 5,59% e os apartamentos, 3,44%. Apesar de liderar o ranking regional, o Nordeste apresentou queda no índice geral, passando de 5,15% em junho para 4,88% em julho.

A avaliação é que famílias com menor margem financeira tendem a sofrer mais com oscilações no custo de vida, principalmente quando uma parcela significativa da renda já está comprometida com aluguel e alimentação.

O cenário também ocorre em meio ao aumento do endividamento no país. Dados apresentados durante o evento apontam que o Brasil chegou a 83,9 milhões de pessoas negativadas, além de registrar recorde de pedidos de recuperação judicial.

Com a alta das despesas básicas e o custo elevado do crédito, consumidores acabam precisando priorizar quais contas serão pagas. Nesse contexto, atrasos em despesas relacionadas à moradia podem se tornar mais frequentes.

Além do aluguel, a inadimplência condominial também preocupa. Especialistas alertam que o não pagamento prolongado das taxas de condomínio pode resultar em cobrança judicial e, em determinadas situações, levar à perda do imóvel.

Antes da adoção de medidas judiciais, normalmente há possibilidade de negociação e acordo para regularização da dívida. A recomendação é procurar o condomínio ou a empresa responsável pela cobrança assim que surgirem dificuldades financeiras.

O aumento da inadimplência de aluguel na Bahia reforça a necessidade de planejamento financeiro e renegociação antecipada das dívidas, especialmente em um cenário de juros elevados e pressão crescente sobre o orçamento familiar.

Fontes: Superlógica, Banco Central, Serasa

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